O que o aprendiz autodirigido espera que o ambiente — empresa, escola, universidade — lhe forneça:

  • Liberdade para que ele possa empreender suas próprias investigações e descobertas
  • Pessoas, estruturas e comunidade que o ajudem a se sustentar em seu próprio caminho de aprendizado, sem “cercar o frango”, mas estando ali para oferecer um espaço de escuta, atenção, perguntas, ritmo, progresso, conexões e sensação de “se joga que aqui tem rede” [também conhecido como tamo junto no matter what] [nos ALCs, criaram um termo ótimo, “holding unfolding”, algo como “sustentar o desabrochar”]
  • Espaços de troca em que ele possa encontrar parceiros…

“37% dos nossos pedidos são errados, mas 99% dos nossos clientes saem felizes”.

É o que afirma o Restaurante dos Pedidos Errados, no Japão, em que todos os garçons possuem algum grau de demência.

[vale muito a pena assistir o vídeo de 5 min abaixo sobre o restaurante. as legendas estão em inglês, mas mesmo sem entender, dá pra sentir]

Não é pouca coisa: os japoneses estranham quando o trem atrasa 1 minuto (porque o maquinista foi ao banheiro). O erro não é algo muito tolerado por lá.

Sendo assim, como é possível uma satisfação próxima a 100% quando…


Como reduzir a distância entre a sua intenção e a sua ação?

  • IDENTIDADE: o foco deve ser em quem você quer se tornar, e não exatamente no que você quer fazer (ou parar de fazer). Você É uma pessoa atlética, você É um aprendiz autodirigido, você É um escritor. O que alguém com essa identidade faz? A partir disso, é “só” agir de acordo.
  • AMBIENTE: manipule seu ambiente/contexto adicionando doses de fricção (dificuldade) nas coisas que você quer parar de fazer e reduzindo a fricção ao máximo nas coisas que você quer fazer mais. …


Áreas de treinamento e desenvolvimento que se comportam como “tiradoras de pedido” contribuem para manter uma cultura de aprendizagem heterodirigida na organização.

Eu vou lá no RH e peço pra contratarem um curso para a minha equipe. Solicito um treinamento, uma plataforma, uma consultoria, um palestrante, um guru. E o T&D obedece prontamente, às vezes demorando meses para concluir o processo — quando ocorre a entrega, a área demandante já está com a cabeça em outro lugar.

Isso é pura educação bancária, como já nos alertava Paulo Freire. A educação como uma transação, um serviço de “depósito” de conhecimentos, algo…


Eram 10 horas da noite, depois de um dia hiper cansativo e de um Zoom atrás do outro.

E eu estava lá, na frente do computador, tentando fuçar pra encontrar um aplicativo que conseguisse mudar as configurações da minha webcam (mais ou menos) recém-comprada.

Baixei um, não deu. Baixei o segundo, não deu. Por fim, depois de um santo vídeo no Youtube, baixei um terceiro app que funcionou lindamente.

O aprendiz autodirigido é um fuçador. Nossa tolerância com respostas medíocres é muito baixa.

Fuçar significa viver uma série de miniexperiências de aprendizado com a intenção de testar, experimentar, buscar jeitos…


No MoL Academy, temos a figura dos tutores, pessoas que ajudam a cuidar para que os aprendizes consigam empreender suas jornadas de aprendizagem com autonomia, consistência e apoio.

É uma relação 1–1, uma espécie de “coach” de aprendizado autodirigido — embora, como já é sabido, a palavra coach esteja bastante contaminada ultimamente.

Eu nutro uma dose considerável de fascínio por esse papel.

A função do tutor não é fornecer todas as respostas, e sim cuidar para que você consiga descobrir o caminho por si mesmo. Ele te fará perguntas, te escutará com as entranhas do coração e, eventualmente, apontará possibilidades…


Pessoas que você confia/admira disponíveis pra te escutar, apoiar e fornecer suas perspectivas únicas em momentos importantes.

Essa é a ideia do CAP, ou Conselho de Administração Pessoal. Um Conselho pra chamar de seu.

Afinal, não são só as empresas que atravessam turbulências.

Quem faz (ou poderia fazer) parte do seu CAP?

Obs.: agradeço ao Nelson Rangel, um cara gente finíssima que conheci na Petrobras, por ter compartilhado essa ideia comigo.


Maior queixa das pessoas na hora de aprender de maneira autodirigida: falta de tempo.

Hábito que muitos de nós temos entre uma tarefa e outra no trabalho: dar uma pausa e… fuçar o Whatsapp ou o e-mail ou alguma rede social.

Parece lógico: podemos aproveitar algumas dessas pausas que ofertamos de graça para os magnatas do Vale do Silício para aprender algo que nos interessa.

Esses dias, fiz exatamente isso com um curso de criatividade do Seth Godin. Assisti alguns vídeos do curso nos meus 5–10 minutos entre um foco e outro.

Talvez você já tenha feito algo assim também…


1. Não interromper

Não interrompa enquanto alguém está falando. Além de rude, você perde a oportunidade de aprender algo novo (mesmo que você já saiba o conteúdo do que a pessoa diz, você não sabe o que acontece com ela enquanto ela diz).

2. Ler 1 página por dia

Não importa se você não tem tempo, para ler 1 página você tem. Deixe o livro ou o texto separado (ver minihábito 6) e perto de você nos momentos em que alguém atrasa para entrar em uma chamada, por exemplo.

3. Anotar os insights

Depois que você começa a fazer isso…


Aceitar/contemplar/gozar o presente

ou

Desejar/imaginar/projetar o novo?

Muitos querem viver somente em um dos dois pólos a vida inteira.

Querem resolver o dilema, “decifrar o código”.

Mas dilemas não são para serem resolvidos.

Melhor seria aceitar/contemplar/gozar, sim, mas a ambivalência. Viver a ambivalência do dilema, admitindo-a como natural e constitutiva da experiência humana.

Melhor seria entender que as duas forças são fundamentais para a nossa evolução como espécie e, literalmente, vivem no nosso corpo: neurotransmissores de A&A (Aqui e Agora) e neurotransmissores de dopamina (desejo, antecipação, futuro).

Nossa biologia é ambivalente, paradoxal, incongruente. E que bom.

Obs.: um abraço para o meu amigo Cali, que compartilhou muitos desses insights comigo hoje. Te admiro muito!

Baixe quase todos os meus livros gratuitamente em www.alexbretas.com.

Alex Bretas

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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