Agile Learning Centers: conjugando educação democrática e organizações ágeis

Criando comunidades de aprendizagem que aprendem

Agile Learning Centers (Centros de Aprendizagem Ágil) ou ALC são uma rede global de projetos de educação que nasceram de dois movimentos: as escolas livres ou democráticas e as organizações ágeis.

O primeiro ALC surgiu na cidade de Nova York em 2013, após alguns testes com ferramentas ágeis terem sido feitos na Manhattan Free School. Em seguida, o time fundador levou a ideia para uma incubadora de projetos de transformação social, a Emerging Leaders Labs. Desde então, o modelo se consolidou e uma rede começou a tomar forma. Novos projetos floresceram devido ao esforço de disseminação da equipe, primeiro nos Estados Unidos e depois na América Central e em outras localidades. Diversas ações como a produção de um material introdutório (Starter Kit), um sistema de membresia e cursos de formação contribuíram para essa expansão.

Em maio de 2018, ocorreu a primeira formação em aprendizagem ágil na América do Sul. E foi quase por acidente. Os equatorianos Marco e Karina estavam se organizando para irem a um curso da rede ALC que aconteceria no México, mas tiveram seus vistos negados. Decidiram, então, organizar um treinamento em seu país. E foi lá que pude conhecer mais de perto essa abordagem.

A filosofia de aprendizagem que se pratica em um ALC é muito próxima do que se presencia nas escolas democráticas. Existe autonomia para que estudantes escolham quais caminhos querem trilhar. A tomada de decisão é compartilhada, de modo que todas as pessoas podem influenciar nos rumos do projeto. E as relações entre facilitadores e facilitadoras e estudantes esquivam-se da hierarquia.

No entanto, há elementos culturais que diferenciam um ALC de uma iniciativa de educação democrática. O principal deles, pelo que pude perceber, é a crença de que decisões só se provam boas na prática. Assim, não vale a pena ficar horas discutindo qual a melhor ideia para se resolver um problema, uma vez que somente ao ser confrontada com o mundo real é que ela poderá ser realmente avaliada. Muitas escolas democráticas passam horas fazendo assembleias. E isso pode gerar frustração e desengajamento.

Os princípios ágeis são úteis para gerar uma cultura de experimentação constante. Em outras palavras, é possível dizer que os ALC são comunidades de aprendizagem que aprendem.

Um exemplo de como isso acontece é a reunião de mudança, alimentada pelo quadro de maestria comunitária.

A reunião de mudança é um momento semanal nos ALC cujo objetivo é propor e avaliar soluções para melhorar a comunidade. Geralmente, a participação de todos e todas é obrigatória. O quadro de maestria comunitária fica disponível o tempo todo e vai sendo preenchido de baixo para cima. Qualquer pessoa pode, então, pregar nele post-its com observações sobre o que precisa ser mudado.

No início da reunião, todas as observações são lidas e o grupo decide qual será a pauta. Soluções são propostas e uma delas (ou uma mistura de várias) é eleita para ser testada. Dessa forma, a solução escolhida passa para a linha “Prática”, o que significa que ela será experimentada até a próxima reunião de mudança. Na reunião seguinte, a comunidade avalia a solução a partir de seus resultados reais e faz pequenos ajustes, se necessário. Se a ideia é avaliada positivamente, ela sobe para a linha “Integrada”, o que significa que agora ela faz parte do dia-a-dia.

As reuniões de mudança que fizemos na formação duraram entre 15 a 30 minutos. A ideia é que elas sejam rápidas para que se ocupe o maior tempo possível com atividades focadas no aprendizado.

Saiba mais sobre mim em www.alexbretas.com.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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