Aprenda a lidar com o excesso de informação. Seja um curador de conhecimento

Sabe aquelas pessoas que sempre te apresentam coisas novas e interessantes?

A Mari Jatahy é assim. Além de ser minha parceira de trabalho na teya, ela é pesquisadora e especialista em curadoria de conhecimento.

Na última semana, perguntei à minha lista (inscreva-se aqui) quais temas eu deveria abordar dentro do universo da aprendizagem autodirigida.

Várias pessoas me falaram sobre curadoria. Deve ser porque, no fundo, todo mundo está meio perdido com tanta informação disponível.

Eu estou.

É por isso que aprender a fazer curadoria é essencial.

Para beber da sabedoria da Mari, fiz uma entrevista com ela. O resultado ficou incrível, dá uma olhada.

A imagem que me vem a cabeça quando penso em curadoria é a de um filtro. O curador é um filtro humano que não só garimpa as melhores referências sobre determinado assunto, mas destila todo esse conhecimento, chegando no que é mais essencial e precioso.

Nesse sentido, curadoria de conhecimento é aplicar essa lógica a projetos ligados a aprendizagem e construção de saberes, encurtando a distância entre quem precisa aprender e o tema a ser aprendido.

Hoje temos uma quantidade infinita de informação disponível, o que por um lado é muito bom. O problema é que nossa capacidade de processar todo esse conhecimento não acompanhou nossa capacidade de produzi-lo e isso tem alguns efeitos.

O primeiro é que a gente se sente sempre em dívida, com uma culpa enorme por não dar conta de ler, estudar e fazer tudo que gostaríamos.

O segundo é a sensação de desorientação. No limite, não conseguimos mais distinguir o que é real do que não é.

E aí esses dois primeiros efeitos ainda podem gerar um terceiro, que é a paralisia. Eu não sei o que fazer, escolher e entender, então eu não faço, escolho, nem entendo nada.

Portanto, precisamos ser curadores para conseguir lidar com a complexidade cada vez maior do mundo em que estamos inseridos.

  • Curiosidade: um bom curador precisa ser curioso e ter aquela “coceira” de querer saber mais e se aprofundar nos assuntos.
  • Pensamento crítico: ele também precisa ter pensamento crítico para analisar e questionar as fontes e conteúdos que encontra.
  • Olhar interdisciplinar: além disso, é interessante que ele se conecte e seja capaz de costurar diferentes áreas de conhecimento, referências e teorias.
  • Capacidade de síntese: também é importante que ele tenha a capacidade de extrair o que é mais essencial de suas pesquisas, de forma a facilitar a compreensão de quem está consumindo.
  • Conexão com o zeitgeist + Olhar para o novo: por último, ele precisa estar profundamente conectado com as questões do seu tempo e, em paralelo, ter um olhar para o que está por vir.

Falando especificamente de curadoria como uma atividade profissional, as principais etapas que tenho em mente são:

  1. Definir o tema (ou pergunta norteadora) e subtemas
  2. Mapear e selecionar fontes
  3. Mapear e selecionar conteúdos
  4. Agregar valor (resumindo, contextualizando, trazendo alguma nova perspectiva etc)
  5. Envelopar (definindo formato e linguagem mais adequados para quem vai consumir)
  6. Compartilhar

A melhor forma de encontrar conteúdo de qualidade é se cercando de boas fontes. Dessa forma, o processo fica muito mais fácil porque elas te alimentam de coisas interessantes sem você ter que ficar correndo atrás o tempo todo.

Já para filtrar, costumo me fazer perguntas como:

  • Esse conteúdo é relevante para o tema que estou investigando? (se sim, por quê?)
  • Ele é relevante para quem vai consumi-lo? (se sim, por quê?)
  • Ele vem de uma fonte qualificada?
  • Ele traz algo de novo? (se sim, o quê?)

Quando estou nas etapas de mapeamento, costumo me organizar pelo Toby (uma ferramenta que otimiza os favoritos do navegador) ou pelo Google Docs.

Geralmente trabalho em sprints, intercalando períodos de busca com períodos de organização das referências, onde qualifico e crio agrupamentos para categorizar o que encontrei. O tempo desses sprints varia de acordo com o projeto e o tempo previsto para a etapa de mapeamento.

Se a curadoria for para um trabalho, o momento de parar invariavelmente dependerá do cronograma e do tempo previsto para a etapa de mapeamento.

Desapegar às vezes pode ser difícil mesmo. Frequentemente a gente se encanta com a pesquisa e acha tudo super interessante. Mas é algo necessário para dar andamento ao projeto. O que facilita é entender que curadoria é sempre um recorte.

E o que muitas vezes me ajuda também é compartilhar com alguma pessoa o que fiz até o momento para colher feedbacks. Se ela entender que o que mapeei é suficiente, isso me deixa mais tranquila para desapegar e passar para a próxima etapa.

Acho que o principal é se observar. Pergunte-se: “como estou me sentindo ao consumir esse conteúdo?” Se ele te deixa inspirado, te faz sentir vivo e com vontade de aprender mais, vá em frente. Caso contrário, talvez seja o momento de dar um passinho pra trás.

Além disso, tem uma questão de escolher as suas batalhas. De entender quais temas e tipos de informação são muito valiosos pra você e priorizar isso (sabendo que mesmo priorizando você não vai dar conta de consumir tudo).

Por último, acho que muito do que causa esse medo é a sensação de ter que dar conta de tudo sozinho. Não precisa ser assim. Muitas vezes, a melhor forma de entender melhor um assunto é através de outras pessoas. Por isso, acredito muito na importância de comunidades nesse processo de curadoria e decodificação de conhecimento.

Analisando quem está publicando.

Dois elementos fundamentais pra mim são:

  • Se a fonte (que pode ser uma pessoa ou instituição) produz conhecimento sobre o tema de forma regular e aprofundada;
  • Se ela tem algum interesse (econômico ou político) em publicar o que está publicando.
  • Twitter (para encontrar fontes e conteúdos interessantes);
  • Listen Notes (para encontrar novos podcasts);
  • Toby (para salvar e organizar páginas da web por assunto);
  • Readwise / Bookcision (para organizar os destaques que faço no Kindle e exportá-los);
  • Evernote (para processar e organizar o que estou estudando).

Para saber mais sobre isso, recomendo acessar o ZEEF do Robin Good, que tem uma infinidade de opções para todas as necessidades.

O próprio ZEEF é uma ferramenta muito interessante que permite a qualquer pessoa organizar uma página de conteúdos curados.

  • Começar o processo buscando por conteúdos em vez de mapear fontes;
  • Não levar o usuário final em consideração, seja no conteúdo ou no formato;
  • Só se prender a temas que estão na moda.
  • O Robin Good, autor da lista de ferramentas que mencionei acima, também tem um Medium recheado de textos sobre o tema.
  • A Inesplorato, empresa pioneira em curadoria de conhecimento, que por acaso está com dois cursos com inscrições abertas.
  • O site Brainpickings, da Maria Popova, que pra mim é um dos melhores exemplos de boa curadoria por aí.

Como aumentar a diversidade (de perfis, narrativas, pontos de vista etc) das minhas fontes.

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Se quiser, me envie uma mensagem no alex@alexbretas.com me contando o que achou. Aproveita e me diz quais outros temas você gostaria de ver por aqui.

Baixe um material gratuito que vai te ajudar a aprender a aprender.

Preparei um conteúdo com as principais pérolas da minha jornada de aprendizagem autodirigida.

É a essência mesmo. Aquilo que eu recomendaria de olhos fechados pra qualquer um que queira aprender a aprender.

E o mais legal é que eu organizei esse conteúdo no formato CEP+R (Conteúdos, Experiências, Pessoas e Redes).

CEP+R é um método que eu e Conrado Schlochauer criamos juntos. Usamos esse método em programas, workshops, mentorias e com a gente mesmo.

Acesse agora o conteúdo no meu site: www.alexbretas.com.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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