Como cultivar uma mente agroecológica (e evitar a monocultura de ideias)

Eu não entendo muito de agroecologia.

Mas, uma vez, visitei uma plantação agroecológica em Serra Talhada, sertão de Pernambuco.

Plantas de diferentes alturas, cores, cheiros e formatos conviviam no mesmo espaço.

Uma planta mais alta fornecia sombra para a outra que precisava de sombra. A matéria orgânica que algumas expeliam era aproveitada pelas outras. Os nutrientes do solo eram coletivamente enriquecidos e compartilhados.

Lindo.

O agricultor que me apresentou a plantação disse que esse zelo mútuo entre as diferentes plantas se aproximava muito do que ocorria em um habitat natural.

O groove que faziam entre si era perfeito: o jazz da natureza.

Alguns anos depois, fui fazer o Caminho do Sertão. Uma das paisagens que mais me marcou foi uma monocultura de soja a perder de vista no horizonte.

Aridez, monotonia, Terra Arrasada. Veredas e mais veredas secando por conta dessa insistência por uma nota única, tocada por quilômetros a fio.

A mesma diferença entre uma plantação agroecológica e um latifúndio existe também em nossos corações e mentes.

Neste fim de semana, assisti a um documentário — “Assholes: A Teoria dos Babacas” — que conta, dentre outras coisas, como surgem pessoas babacas no mundo.

Um babaca, que é alguém que basicamente se aproveita dos outros e está se lixando pra isso, fortalece sua babaquice toda vez que encontra uma “monocultura” de outros babacas.

Em outras palavras: toda vez que o sujeito babaca está na sua bolha, ele acha que é normal ser assim, e com isso se torna mais árido e mais monótono.

Não é preciso ser um babaca para ser vítima da monocultura de ideias. Todos nós podemos perecer dela, assim como as veredas mortas no sertão.

Neste sentido, algumas dicas para ter uma mente mais agroecológica são:

  • Não seja presa fácil dos algoritmos das redes sociais. Deliberadamente pesquise perfis e newsletters que, uma vez que você começa a segui-los ou assiná-las, irão te fornecer conhecimentos diversificados continuamente — inclusive em termos de raça, gênero e visão política.
  • Tenha prazer em conversar com pessoas fora da sua bolha. O porteiro do prédio, a faxineira, seu tio que pensa diferente, seus pais, seu amigo que escolheu um outro caminho, todos esses são pratos cheios para alimentar sua agroecologia mental.
  • Viva experiências capazes de te fazer tocar os limites do sistema. Se jogar intencionalmente em situações como o Caminho do Sertão, ir conhecer uma favela, fazer um retiro meditativo ou viajar de mochilão é uma das melhores formas de conhecer o mundo para além do seu pequeno latifúndio.

E você, como faz para ser mais permeável na vida, nas relações e na sua visão de mundo?

Obs.: fui apresentado à imagem que introduz o post pela Mônica Lan.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com