Compartilhamento semanal #6: O Prazer de Estar Errado [fase de pesquisa]

Este é o compartilhamento semanal #6 da pesquisa do livro O Prazer de Estar Errado.

A ideia é ir fazendo pequenos sprints semanais de pesquisa e trazer pra cá as principais pérolas e reflexões.

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O que eu pesquisei durante a semana?

Realizei três entrevistas nos últimos 15 dias. Cada uma delas foi um passo crucial para aumentar minha “zona de perambulações possíveis” sobre os temas do livro.

Também assisti a alguns documentários como, por exemplo, a série “Losers” da Netflix. (o episódio do boxeador Michael Bentt é incrível!)

As fontes mais interessantes que encontrei

Entrevista com Marcelle Xavier

Entrevista com Cláudio Thebas

Entrevista com Isadora Martins

Principais reflexões e insights

  • “O erro torna emergente outras propriedades do sistema”. (Marcelle Xavier)
  • O erro sempre revela coisas que você não estava vendo.
  • “Se você tenta construir todos os acordos ex ante à interação, você está cristalizando o sistema, tentando prevê-lo e controlá-lo. Isso pode atrapalhar a emergência dos fenômenos”. (Marcelle Xavier)
  • “Você se prepara para o encontro, você não prepara o encontro” (inspirado em uma fala do Cláudio Thebas)
  • Sair de “o que poderia ter sido melhor?” para “o que aprendemos com isso para o futuro?”
  • Dois tipos de resiliência: conservativa e adaptativa. A primeira busca conservar frente à mudança, e a segunda muda com a mudança. A resiliência se constrói no equilíbrio entre ambas.
  • “Quanto mais comunidades você tiver que estejam habituadas a sentir o ‘prazer em estar errado’, mais isso será natural pra você”. Pessoas tomam decisões influenciadas pelas redes e comunidades que habitam.
  • “Amor é quando você aceita o contínuo vir-a-ser do outro como legítimo”.
  • Intimidade significa acessar junto com o outro camadas mais e mais profundas de verdade, honestidade e autenticidade. É se sentir confortável com a vulnerabilidade.
  • “O palhaço não tem prazer no erro, ele tem prazer na conexão que o erro gera”. (Cláudio Thebas)
  • “O palhaço te devolve pro real. Enquanto todos os outros artistas do circo te inspiram a sonhar, o palhaço te inspira a perseverar”. (Cláudio Thebas)
  • “É o erro que move a dramaturgia do palhaço no mundo”. (Cláudio Thebas)
  • “O palhaço não desafia as leis humanas, ele nos devolve a nossa humanidade”. (Cláudio Thebas)
  • Brincadeira: “a gente vai aprendendo na medida que brinca. Toda vez que a brincadeira para, fica chato. O erro é o que a faz avançar” (Cláudio Thebas)
  • No teatro de improviso, “o treino é para a prontidão”. “No encontro com o parceiro em cena, a palavra é ‘sim’. O erro, nesse contexto, seria “negar a proposta”. (Cláudio Thebas)
  • “É legítimo eu falar que você errou em uma coisa que você não sabe como faz?” (Cláudio Thebas)
  • Boletim escolar: “se você tira só 10 e um vermelho, o pai vai falar do vermelho”. A crítica e o julgamento são muito encrustados na cultura.
  • “A culpa não é um afeto transformador. Não adianta olhar para o casco furado do navio culpando o iceberg. Quanto mais pessoas se responsabilizarem, mais chances teremos de resolver”. (Cláudio Thebas)
  • “Eu perco minha condição de sujeito quando me sinto culpado. Eu não faço mais por mim, eu faço pelo medo do outro, para tentar me redimir”. (Cláudio Thebas)
  • Na hora em que algo “dá errado”, é preciso acessar o próprio repertório de histórias e experiências e improvisar. É intuitivo. Para tanto, é preciso conhecer muito bem e valorizar seu repertório. (Cláudio Thebas)
  • “Não adianta você acessar seu repertório se aquilo não se conectar verdadeiramente com o momento presente”. (Cláudio Thebas)
  • “O prazer de estar errado” é fazer as pazes com sua humanidade, com seu repertório, para então poder acioná-lo em situações “adversas” e criar algo novo.
  • O repertório também é construído a partir das histórias que você conta várias vezes.
  • Na vida, nós vamos viver mortes, tanto literais quanto simbólicas. A finitude não é apenas orgânica, é também biográfica.
  • O erro é a morte da expectativa.
  • “Vivenciar certas adversidades [a morte como uma delas] é uma janela para observar e desconstruir ilusões”. Ilusões como apegos. Uma delas é a da infinitude, da permanência, de algo fixo. Outra ilusão comum é a idealização que fazemos de alguém. (Isadora Martins)
  • “Toda vez que você faz uma escolha, você perde algo, e isso também é uma pequena morte”. (Isadora Martins)
  • A partir do trabalho da Ana Claudia Arantes: a morte é um mundo que desmorona. O que é possível fazer diante da morte é encontrar pistas de amor nesse mundo desmoronado. Juntar alguns cacos nos escombros, um trabalho arqueológico. De quais escombros você vai se despedir e quais você quer restaurar (não igual ao que era antes, mas de uma nova forma)?
  • “Quais são os afetos que cada erro/adversidade mobiliza (raiva, tristeza, solidão, desespero etc)?” Se a adversidade abalou seu mundo presumido, se ela te revelou alguma ilusão, se ela fez desmoronar algo importante, qual passo você pode dar para além de seus afetos? (Isadora Martins)
  • É impossível não sofrer, mas é possível parar de infringir dor em si mesmo.
  • [A travessia diante da morte] é só sua. Você pode ter parceiros que te ajudam a abrir a janela para o sol entrar, mas é você que vai ter que passar por ela”. (Isadora Martins)
  • “A gente não fala de morte, não sabemos como encarar, achamos muito mórbido. Por quê?” Por que temos tanta dificuldade de falar de algo que está acontecendo o tempo todo? É um dos desempoderamentos que nos aconteceram: a morte nos foi sequestrada”. (Isadora Martins)
  • “Rituais de morte são necessários para que novos nascimentos aconteçam”. (Isadora Martins)
  • “O Neil saiu pra viajar porque a única coisa que ele sabia era que não era possível mais estar no lugar que ele estava. Ele percebeu que sua alma era uma alma-bebê, e que ele precisava se dedicar ao desenvolvimento dessa alma”. Como, após uma adversidade devastadora, é possível se perceber como uma alma-bebê?
  • “Algum repertório em relação à morte [ou adversidade] todo mundo tem”. (Isadora Martins)
  • “Se seu chão desmorona, qual é o corrimão que você se segura para não cair até perceber que seu chão esteve sempre ali, você só precisa reaprender a pisar?” (Isadora Martins)
  • “Qualquer desmoronamento [adversidade] é um convite para fazer uma pausa e observar. Mas não é uma pausa pra você ficar parado. Será que dá pra fazer uma pausa em movimento?” (Isadora Martins)
  • “Pode ser que você tenha um repertório enorme, mas todo aquele repertório não consegue te ajudar em determinada experiência [de morte, luto, adversidade, erro]. E isso é um convite para que você viva integralmente a experiência, o que te levará a criar novos repertórios. (Isadora Martins)
  • “O perfeccionista é um arrogante inseguro” (Isadora Martins)
  • Arrependimento mobilizador. História da mulher que abandonou um cachorro. Sentiu muita culpa, entendeu como um grande erro que cometeu. Depois disso, virou uma grande defensora dos animais. Seu movimento de reparação não era com aquele animal em si, mas se colocar a serviço do mundo.
  • O antídoto para a culpa reside em algum lugar entre a responsabilidade e a aceitação.

Este é o último compartilhamento semanal do livro em 2020. A partir de janeiro, já começarei a esboçar algumas linhas — saio da fase de pesquisa e entro na fase de escrita.

Que venha 2021!

O livro O Prazer de Estar Errado está sendo escrito “em voz alta”. Isso significa que eu quero muito ouvir o que você pensa sobre tudo isso.

O que te toca nessas reflexões? O que você pensa ou sente sobre elas?

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TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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