Comunidade Novas Economias: guia de navegação para novas e novos integrantes

Inscrições encerradas para esse ciclo. Se quiser colocar seu nome na lista de espera, entre aqui. Antes de manifestar seu interesse, porém, pedimos para que você leia até o final. É importante :)

A Comunidade Novas Economias é um coletivo dedicado ao estudo de novas realidades sociais baseadas na confiança, colaboração e abundância. Nascemos em fevereiro de 2018 como um projeto da Multiversidade, hoje Oniversidade, e desde então estamos experimentando como podemos criar uma comunidade intencional de aprendizagem a partir de um tema que nos interessa.

Este guia foi pensado como uma forma de compartilhar informações sobre o funcionamento da comunidade com as novas e os novos participantes.

Desde já, seja muito bem-vinda(o)! Celebramos muito seu interesse de se juntar a nós nessa aventura ;)

Nossos princípios

Desde o início da comunidade, todas as pessoas que manifestaram interesse de participar foram incluídas no grupo. Não excluímos ninguém. Para qualquer coisa que vamos fazer, pensamos: “como vamos incluir todo mundo (que quer) nisso?”

Nada é obrigatório na Comunidade Novas Economias. Cada pessoa é responsável pelo seu aprendizado e pelas suas escolhas. Acreditamos que, quando temos a chance de escolher, ampliamos a consciência e fortalecemos nosso autoconhecimento.

Compartilhamos todo o conhecimento que produzimos. Acreditamos que o acesso ao conhecimento deve ser livre.

Desde o começo, a pergunta era: “como vamos viabilizar isso que queremos que exista?” Não somos um curso. Sustentamos a comunidade por meio de contribuições voluntárias mensais das pessoas participantes. Não há um valor fixo para essas contribuições.

O ponto de partida, e também o “guarda-chuva” temático da comunidade são as novas economias, mas são as pessoas participantes quem definem o que será estudado dentro desse assunto. Adotamos ferramentas colaborativas para fazer o planejamento dos subtemas que serão abordados dentro de novas economias. Entendemos novas economias como novas realidades sociais baseadas na confiança, colaboração e abundância.

A governança da comunidade é feita por todas as pessoas que querem se envolver na gestão. Existe uma pessoa responsável pela facilitação, mas sua atuação deve ser sempre guiada por uma lógica de “poder-com” e não “poder-sobre”. Aplicamos alguns padrões da sociocracia, como tomada de decisão por consentimento e círculos (grupos de trabalho) com funções específicas.

Nós estudamos novas economias, então nada mais justo que vivermos as novas economias na pele enquanto comunidade. Isso significa que nos orientamos a partir de três valores:

  • Confiança: abrir mão do controle e ter confiança em si mesmo e nas outras pessoas;
  • Colaboração: num ambiente livre, conseguimos nos coordenar e atuar sinergicamente;
  • Abundância: tem pra todo mundo, ou seja, não precisamos gerar artificialmente escassez.

Nós sempre conseguimos seguir esses princípios? Não. Estamos aprendendo. Mas estamos cada vez melhores.

Funcionamento

A comunidade começou a operar em fevereiro de 2018 e o combinado inicial é de que o percurso dure até dezembro de 2019, ou seja, mais ou menos dois anos de duração. O que vem depois disso ainda está para ser criado (por nós, é claro).

Decidimos em assembleia que teremos entrada de novas pessoas periodicamente.

Você pode decidir sair da comunidade a qualquer momento, mas tenha em vista que uma vivência muito curta provavelmente não será suficiente para que você se envolva de fato nas atividades. Estamos falando de um tipo de educação muito diferente da que estamos acostumados, então leva um tempo até nos situarmos nessa nova lógica.

Não temos critérios de seleção tradicionais como idade, escolaridade ou conhecimentos prévios sobre o tema. Isso é proposital, considerando nosso princípio de inclusão.

Duas coisas são importantes: interesse e comprometimento/disponibilidade. Você se interessa realmente por novas economias? Quer se aprofundar nesse assunto? Você tem disponibilidade de tempo para se envolver nas atividades da comunidade? Quer se comprometer com isso? Se você respondeu sim para todas essas perguntas, já é um ótimo começo ;)

Considerando o princípio da coviabilização, o financiamento da comunidade é realizado por meio de um crowdfunding recorrente no Catarse. Todas as pessoas participantes são convidadas a contribuir voluntariamente com um valor mensal que represente seu ponto de equilíbrio (nem tão pouco que não faça jus à experiência, nem um valor tão alto que te impeça de pagar o aluguel no fim do mês). Uma vez decidido o valor, que pode ser inclusive zero, cada pessoa cadastra sua contribuição no Catarse. Há dois meios de pagamento, cartão de crédito e boleto, mas pedimos que você escolha pagar via cartão de crédito caso tenha um, porque assim o pagamento é automático. Isso evita que você se esqueça de pagar e também cobranças chatas.

É comum algumas pessoas mudarem o valor da sua contribuição ao longo do tempo. Isso pode ocorrer por diversos fatores (variações de renda, emergências ou simplesmente uma escolha consciente por aportar mais ou menos grana para a comunidade). Não há problema nisso, mas é importante que todas as pessoas estejam atentas ao valor total arrecadado para mantermos a saúde financeira da comunidade.

Hoje, todo o dinheiro arrecadado vai para nosso facilitador (Alex, este que vos fala), e isso foi acordado no início da comunidade com todas as pessoas. Idealmente, a remuneração do trabalho de facilitação é de R$ 2.000,00 por mês. Se em determinado mês arrecadamos menos que isso, pode ser que a facilitação fique prejudicada, dado que será mais difícil dedicar o tempo necessário para essa atividade. Se arrecadamos mais, podemos usar o excedente para viabilizar experiências de aprendizagem que custem grana (por exemplo, convidar palestrantes, viajar, etc).

O trabalho de facilitação no caso da Comunidade Novas Economias envolve as seguintes responsabilidades:

  • Animar a comunidade e zelar pelos seus princípios e por seu bom funcionamento;
  • Promover conexões entre as pessoas participantes da comunidade e também entre elas e pessoas externas, sempre que houver uma potencial sinergia;
  • Organizar a agenda de encontros, propondo cronogramas e validando com as pessoas da comunidade;
  • Estar disponível para escutar as pessoas participantes e orientá-las em relação à sua aprendizagem, se for o caso;
  • Aprender junto com a turma e com o processo, sempre.

A facilitadora ou o facilitador é um ponto de referência na comunidade. É como se fosse o hub de uma rede, servindo de ponte para que a comunicação flua.

Os pulsos são encontros presenciais mensais que ocorrem em São Paulo-SP com duração de um final de semana (sábado e domingo o dia inteiro, de 9h30 às 18h). A agenda dos pulsos segue abaixo:

Ao longo do percurso, entendemos que seria importante criarmos mais encontros para trocarmos experiências e aprendizagens e manter a chama da comunidade viva. Começamos então os encontros de compartilhamento, que acontecem toda primeira quarta-feira do mês online (via Zoom) e também presencialmente dentro da agenda dos pulsos.

Assim, os pulsos são ocasiões em que a comunidade se reúne para aprender coletivamente. Realizamos oficinas, palestras, saídas a campo, rodas de conversa, dentre outras atividades com o intuito de explorar os temas que a comunidade quer se aprofundar em determinado mês.

Os encontros de compartilhamento objetivam fomentar trocas de conhecimento entre as pessoas integrantes da comunidade, além de serem um espaço seguro para nos apoiarmos em nossas trajetórias de aprendizagem e nos comprometermos com elas.

Outros encontros podem ser criados a qualquer momento por qualquer pessoa da comunidade. Por exemplo: posso chamar uma conversa virtual no Zoom para compartilhar o que aprendi sobre blockchain; posso marcar um encontro na data X, hora Y e no local W para explorar os conceitos de abundância e escassez; e por aí vai. E quem vai nesses encontros? Quem quiser ir, uai. O bacana disso é que quem aparecer vai estar genuinamente interessado. Acreditamos muito na máxima “quem vem são as pessoas certas”.

O local onde geralmente realizamos os pulsos é o Serotonina Lab, um espaço de inovação e coworking na Vila Mariana (endereço: Rua Prof. Frontino Guimarães, 302, perto do metrô Vila Mariana). No entanto, hoje só podemos fazer nossos encontros lá aos domingos, ou seja, eventualmente precisamos encontrar outro espaço para os sábados. Mas isso não costuma ser problema pra nós.

Os temas de estudo dentro de novas economias foram mapeados em março de 2018, no início da formação da comunidade. Esse exercício gerou o mapa mental abaixo:

Ao longo do percurso, vamos selecionando esses e outros interesses que surgem e criando experiências de aprendizagem a partir deles. Naturalmente, as pessoas novas que entrarem na comunidade vão trazer consigo interesses novos, e entendemos que isso é bom para oxigenar a turma.

Existe a expectativa de que todas as pessoas da comunidade produzam um “trabalho final”, que carinhosamente chamamos de preciosidade, a ser entregue em novembro de 2019.

O tema e o formato das preciosidades são livremente decididos pelas pessoas. Pode ser um livro, um documentário, uma peça de teatro, uma coleção de roupas, enfim, o que cada pessoa quiser. Optamos pela palavra preciosidade porque acreditamos muito na capacidade de qualquer pessoa de compartilhar conhecimentos valiosos com o mundo quando sua busca é dedicada e autêntica.

As preciosidades serão licenciadas sob os termos da licença Creative Commons CC BY-SA, com o intuito de garantir que os conhecimentos gerados estejam disponíveis para o público mais amplo possível.

A partir do nosso princípio de gestão compartilhada/horizontal, procuramos tomar decisões da maneira mais participativa possível, conjugando eficácia (alcance dos objetivos) e equivalência (escutar todas as pessoas que querem se envolver em determinada decisão). Os combinados podem ser revistos sempre que não estiverem atendendo às necessidades da turma.

Em todo pulso, geralmente no domingo no fim da tarde, temos uma assembleia. Esse é o momento para conversarmos sobre o que está acontecendo na comunidade e decidirmos por mudanças que talvez sejam necessárias.

Caso alguma coisa não possa esperar até a próxima assembleia, qualquer pessoa pode levantar uma questão no grupo oficial da turma no Whatsapp.

As decisões são tomadas por consentimento. Resumidamente, o processo de tomada de decisão por consentimento começa com uma conversa sobre a questão, até que alguém formule uma proposta (uma ideia que pode ser implementada). O grupo então verifica se há alguma objeção à proposta.

Fonte: material da oficina de sociocracia elaborado por Rafael Oliveira e Fabiana Maia.

Se não há objeções, a proposta é aprovada. Se há alguma objeção, podemos tentar algumas coisas:

Fonte: material da oficina de sociocracia elaborado por Rafael Oliveira e Fabiana Maia.

A tomada de decisão por consentimento é um dos padrões da sociocracia, uma abordagem de governança que muito nos inspira na comunidade.

Com o tempo, começamos a criar alguns subgrupos dentro da turma para cuidar de questões específicas. Chamamos esses subgrupos de círculos. Atualmente, são dois:

  • Círculo dos Pulsos: cuida do que vai acontecer em cada pulso. Propõe as agendas de atividades desses encontros (temas e experiências de aprendizagem) e pede consentimento sobre essas agendas à toda a comunidade.
  • Círculo de Cuidados: responsável por decidir e implementar formas de cuidar das pessoas da comunidade e anfitriar as pessoas que estão chegando, de modo que todas e todos se sintam acolhidos.

Atualmente, temos três canais de comunicação virtuais e um repositório de documentos:

  • Grupo oficial no Whatsapp: permitido postar somente sobre encontros e decisões da comunidade (depois de longas discussões, decidimos restringir o foco desse grupo para evitar o excesso de mensagens).
  • Grupo não oficial no Whatsapp: carinhosamente apelidado de “turma do fundão”, podemos postar qualquer coisa nesse grupo. A entrada nele é opcional.
  • Grupo secreto no Facebook: foco em conteúdos sobre novas economias (textos autorais, links legais, vídeos interessantes, reflexões, pedidos de ajuda, etc).
  • Conta no Google Drive: serve para guardar nossos documentos (atas de reunião, reuniões virtuais gravadas, materiais de estudo, fotos, vídeos, newsletters, etc).

Vem com a gente?

As inscrições para Comunidade Novas Economias estão abertas. Interessou? Inscreva-se aqui.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com