Declaração da Descolonização

Uma recusa à narrativa de educação convencional que insiste em nos capturar

Por Manish Jain

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que me ensina que minha avó era analfabeta, primitiva, atrasada, estúpida, sem educação, subdesenvolvida e incapaz de gerir seus próprios negócios.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que padroniza, coloca rótulos e condena milhões de crianças maravilhosas, brilhantes e talentosas a se verem como “perdedoras”, “problemáticas” e de “aprendizado lento”. Não aceito mais o certificado como uma ferramenta para negar o acesso de pessoas a futuros aprendizados e oportunidades de trabalho.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que nos ensina que o cérebro é mais importante do que o coração ou as mãos.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que enxerga minha ligação com a terra, com minha língua local, minhas sementes, meus rios, minhas árvores, minha história, com o meu corpo, com minha voz interna, com o espírito do mundo e com minha comunidade como barreiras à modernização e ao desenvolvimento. Não aceito mais uma narrativa que, no pior dos casos, visa a destruição de tudo isso em favor do “progresso”, e no melhor, confina todas essas coisas dentro de um dia multicultural na escola.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que ensina que o trabalho físico no campo, na minha casa e na minha comunidade não tem valor e que a felicidade da minha filha é baseada em tomar Coca-Cola, comer McDonalds e passar o dia todo no Facebook.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que me ensina a ser competitivo na minha comunidade e a ser contra pessoas de outros países para sobreviver.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que me ensina que o aprendizado é uma commodity (ao lado do ar, da água da terra e dos alimentos) e que o conhecimento é propriedade de indivíduos por meio de direitos autorais e patentes.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa de educação que me ensina que somos pobres porque não temos escolas, professores treinados ou conhecimento científico. E, portanto, que precisamos de mais investimentos internacionais, mais doações, mais parcerias entre empresas e governo, mais acordos para o livre comércio e que precisamos acreditar mais nos “especialistas” do que na sabedoria das nossas comunidades.

Eu não posso mais aceitar uma narrativa que dá poderes para que algum Ministério de Recursos Humanos defina o significado de ser humano.

Publicado com autorização de Manish Jain. Para saber mais sobre ele, veja este texto que escrevi.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com