Dossiê Masters of Learning

Um retrato vivo de uma comunidade de aprendizagem autodirigida

Bem-vindo à nossa comunidade de aprendizagem!

Estamos entrando na oitava semana do programa e muitas coisas lindas já aconteceram. Vem comigo?

Masters of Learning: hãn?

Desde o início, a ideia foi criar uma grande comunidade de aprendizagem autodirigida. São 190 pessoas participando, de 18 a 72 anos. A diversidade — não apenas etária — é uma das maiores fontes de aprendizagem do percurso.

Ao iniciar o programa, cada participante foi convidado a estruturar seu próprio caminho de aprendizagem individual em torno de uma pergunta norteadora que ele mesmo criou. A partir daí, o objetivo da comunidade tem sido dar combustível para impulsionar as jornadas de cada um.

Mas isso é só o começo…

>> Saiba mais sobre o MoL aqui.

Obs.: ainda não há previsão sobre quando serão abertas novas turmas, mas você pode entrar no meu site e se cadastrar na minha lista de e-mails para ficar sabendo em primeira mão.

Jornada do MoL

  • Exploração (2 semanas): é o momento de olhar para o lado, pesquisar e experimentar para descobrir no que o participante deseja se aprofundar no restante da jornada.
  • Sprints (6 semanas): com um foco definido, a pessoa faz pequenos avanços de maneira sustentada ao longo do tempo a partir de uma mentalidade ágil.
  • Entrega (2 semanas): é a hora de “embalar” o aprendizado e oferecê-lo para o mundo na forma de algo concreto e útil para as pessoas.

Obs.: a fase “Academy” que aparece na imagem é uma extensão do programa voltado para aqueles que querem aprender a facilitar comunidades de aprendizagem autodirigida. Como o foco deste texto é o MoL, não vamos falar dessa parte aqui :)

Quem faz o MoL acontecer

A função dos tutores é estar mais próximo dos participantes para fornecer ajuda no que se refere a seus caminhos de aprendizagem, quando necessário. A ideia não é que os tutores fiquem oferecendo apoio toda hora (tática que eu carinhosamente apelidei de “cercar o frango”), mas sim que estejam disponíveis caso os participantes precisem.

Aprender a pedir ajuda é uma habilidade fundamental do aprendiz autodirigido.

No decorrer do programa, os tutores criaram grupos no Whatsapp com seus tutorados para facilitar a comunicação. Com o tempo, esses grupos começaram a se encontrar e alguns até ganharam nomes (Sementeiros, Hackers MoLegais, MoL da Quebrada, MóLindes etc). De algum modo, esses grupos são como as diversas “casas” dentro do território de Game of Thrones — a diferença é que a convivência entre eles é cooperativa, e não competitiva :)

Quem são os tutores do MoL:

Quanto mais avançamos na jornada, mais a presença dos tutores tem se revelado essencial nos caminhos de aprendizagem de várias pessoas dentro do programa.

Algumas perguntas de aprendizagem dos participantes

  • O que te mostrou outras possibilidades de vida?
  • E se meu filho não for pra escola?
  • Como se dá a exclusão dos movimentos artísticos negros e africanos da historia da arte?
  • Quais emoções eu sinto quando aprendo?
  • Como encontrar e criar Tecnologias Humanas que apoiam a convivência?
  • Como levar a autogestão para a academia?
  • Como posso melhorar minha música (rap)?

A pergunta é como um amuleto para o aprendiz autodirigido. Ela serve para lembrá-lo do propósito de sua jornada — que pode mudar ao longo do tempo.

Algumas frases marcantes

Se joga que aqui tem rede!

Se eu não te dissesse o que aprender, o que você aprenderia?

Aqui pode tudo, só não pode perguntar se pode!

Aprendizado não é um murro na boca do estomago, é abrir uma cortina!

Somente um coração agradecido aprende.

Só de estarmos na jornada já é um milagre.

Tudo é um convite.

Na desconfiança, eu provo. Na confiança, eu arrisco.

Portfólio compartilhado do MoL

O carômetro é uma forma de facilitar conexões entre os participantes da comunidade. Por meio de um formulário, pedi aos membros para preencherem os seguintes dados:

O carômetro é um exemplo, dentre muitos outros, de como é possível ser um “netweaver” em comunidades de aprendizagem autodirigida, ou seja, ajudar os membros a multiplicarem os vínculos entre eles.

Carômetro (aplicativo)

O carômetro é uma forma de facilitar conexões entre os participantes da comunidade. Por meio de um formulário, pedi aos membros para preencherem os seguintes dados:

  • Pergunta de aprendizagem
  • 2 coisas em que você é faixa-preta (sabe muito sobre)
  • 2 coisas em que você é faixa-branca (quer aprender)
  • Whatsapp
  • Instagram
  • LinkedIn

O carômetro é um exemplo, dentre muitos outros, de como é possível ser um “netweaver” em comunidades de aprendizagem autodirigida, ou seja, ajudar os membros a multiplicarem os vínculos entre eles.

Grupos temáticos

O que eu não esperava era que os próprios membros da comunidade começassem a criar esses grupos por iniciativa própria!

Hoje, até onde eu sei, estão ativos os seguintes grupos:

  • Gestão e Impacto MoL
  • MoL Ambiente de Pensamento (Thinking Environment)
  • Biomimética_MoL
  • Facilitação MoL
  • Unschooling no MoL
  • MoL Criatividade
  • MoL Educação Corporativa
  • MoL Futuro das Profissões
  • QE MoL (Inteligência Emocional)
  • MoL — Comunicação no digital
  • MoL Comunidades

Cada grupo desenvolve suas próprias estratégias para explorar o tema: encontros virtuais, compartilhamento de referências, projetos coletivos etc.

Encontros organizados pelos participantes

Para facilitar isso, disponibilizei uma conta paga no Zoom — a mesma utilizada para viabilizar as reuniões virtuais do programa — para qualquer participante que quisesse oferecer um encontro.

Alguns encontros que já ocorreram são:

  • PKM (Personal Knowledge Management ou Gestão do Conhecimento Pessoal)
  • Intuição e facilitação
  • Ferramentas de autoconhecimento
  • Biomimética
  • Comunicação e marketing digital

Página oficial do programa

Criei uma página no Gitbook para concentrar todas as informações, conteúdos, links e convites do programa.

O Gitbook é uma ferramenta que possibilita a documentação colaborativa de projetos. Estou usando a versão gratuita e recomendo muito.

Facilitação gráfica

Muito celebradas na comunidade, as facilitações gráficas servem para sintetizar as sabedorias compartilhadas a cada reunião, e elas também são especialmente úteis para quem não pôde estar presente no encontro.

Para que você tenha uma ideia do que estou falando, clique abaixo para acessar a colheita gráfica do encontro do dia 03/08:

Talks com convidados especiais

  • Talk 1: Laís Lara Vacco, Conrado Schlochauer e Leo Carraretto (08–07)

Assuntos abordados: como é um percurso de aprendizagem autodirigida na prática, lifelong learning e lifewide learning, cultura de aprendizagem, futuro do trabalho e da educação

  • Talk 2: Amanda da Costa e Tarik Fraig (22–07)

Assuntos abordados: os reflexos das desigualdades social, racial, de gênero e educacional nas possibilidades de seguir um caminho de aprendizagem autodirigida, emancipação da sensibilidade, territórios incolonizáveis

  • Talk 3: Rebecka Koritz e Traian Bruma (05–08)

Assuntos abordados: como criar uma criança autodirigida, universidades livres, porque é perigoso continuar obedecendo a padrões sociais tóxicos, como mudar a educação de dentro pra fora e de fora pra dentro

  • Talk 4: Claudio Thebas e Tânia Savaget (12–08)

Assuntos abordados: coragem de errar e de compartilhar, espontaneidade e autenticidade, como compartilhar o que aprendemos, como lidar com nossas expectativas e julgamentos

Só um adendo: os parágrafos acima definitivamente não fazem jus à riqueza dessas conversas!

Desafios

Alguns dos desafios que já rolaram são:

  • Desafio de Entrevistas

Entrevistas são um poderoso instrumento de aprendizagem social. Por isso, na terceira semana do programa, convidei os participantes a entrevistarem uns aos outros dentro da comunidade a partir de interesses comuns. A atividade acabou se tornando também uma forma simples de aprofundar os vínculos entre as pessoas do grupo.

  • Desafio de Pedidos e Ofertas

Comunidades de aprendizagem têm muito a ganhar quando implantam algum tipo de sistema que facilite a troca de pedidos e ofertas entre os participantes. A partir disso, propus a criação de um time de cinco pessoas — todos participantes do MoL — para trabalhar na criação dessa “arquitetura” dentro do programa. Além dos benefícios da solução em si, o processo de se trabalhar em um pequeno grupo para entregar algo concreto também é uma baita experiência de aprendizagem.

  • Arrisca!

O “Arrisca!” é uma forma de abrir espaço dentro dos encontros do MoL para quem quiser compartilhar aprendizados marcantes em sua vida pessoal e/ou profissional. O formato é inspirado nas microaulas, sobre as quais escrevi no livro Kit Educação Fora da Caixa. Por meio de uma inscrição prévia, qualquer membro da comunidade pode ter 5 minutos durante um encontro para realizar sua apresentação.

Alguns temas de Arriscas já agendados são:

  • Como me tornei facilitadora de grupos?
  • Convivendo com a esclerose múltipla
  • Como estar mais consciente no aprendizado

Outros participantes da comunidade também começaram a oferecer oportunidades de colaboração em projetos próprios. Um exemplo é o Davi Rodrigues, que iniciou um grupo de trabalho com outros participantes do MoL dentro da iniciativa Cartas para Sophia.

Conteúdos

Até o momento, os conteúdos e atividades abordaram os seguintes temas:

  • Semana 1: Uma Outra Visão de Educação
  • Semana 2: Atitudes do Aprendiz Autodirigido + Perguntas de Aprendizagem + Buddies
  • Semana 3: Início dos Sprints + CEP+R + Entrevistas
  • Semana 4: Apreciação + Autodisciplina + Mentores
  • Semana 5: Organização + Curadoria
  • Semana 6: Desafio de Pedidos e Ofertas + Cara de Pau
  • Semana 7: Equilíbrios Dinâmicos do Aprendiz Autodirigido + Diálogo + Arrisca!

Sarau

O Sarau do MoL foi um acontecimento mágico. Antes dele acontecer, fiquei receoso em tentar algo tão “presencial” em um ambiente virtual. Mais uma vez, porém, a realidade me contrariou.

A organização do Sarau foi muito simples:

  • Criei um formulário para coletar inscrições de pessoas interessadas em oferecer algo (esse “algo” deveria ser ofertado em até 5 minutos e poderia ser trecho de livro, poesia, música, desenho, meditação etc)
  • Propus um check-in em pequenos grupos no Zoom a partir da pergunta “O que te serve como lembrete do seu Eu mais autêntico neste momento?”
  • Tivemos a participação do Ciano — que além de tutor do MoL também é um artista de mão cheia — abrindo o Sarau

Na minha percepção, foi um dos momentos de conexão e pertencimento mais potentes que tivemos durante todo o programa. A arte tem esse poder, né?

Playlist compartilhada

Acesse a playlist no Spotify clicando aqui.

O MoL é a prova viva de que é possível criar comunidades de aprendizagem altamente engajadoras com pessoas de qualquer lugar do mundo, totalmente online e em pouco tempo.

É o trabalho da minha vida e eu estou profundamente feliz com o resultado.

Só que ainda não acabou! Em breve, vou atualizar esse Dossiê para compartilhar como foram as duas últimas semanas da jornada.

Para ser o primeiro a receber o Dossiê atualizado, entre no meu site e se inscreva na minha lista de e-mails! Link: www.alexbretas.com.

Publicado originalmente em www.alexbretas.com.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com