Dossiê Masters of Learning

Bem-vindo à nossa comunidade de aprendizagem!

A intenção deste post é dar um panorama de tudo que já rolou no Masters of Learning (MoL) até agora.

Estamos entrando na oitava semana do programa e muitas coisas lindas já aconteceram. Vem comigo?

Masters of Learning: hãn?

O MoL é um programa online de 10 semanas para quem quer se tornar mestre do próprio aprendizado na prática. A jornada começou no dia 29 de junho e vai até o dia 8 de setembro.

Desde o início, a ideia foi criar uma grande comunidade de aprendizagem autodirigida. São 190 pessoas participando, de 18 a 72 anos. A diversidade — não apenas etária — é uma das maiores fontes de aprendizagem do percurso.

Ao iniciar o programa, cada participante foi convidado a estruturar seu próprio caminho de aprendizagem individual em torno de uma pergunta norteadora que ele mesmo criou. A partir daí, o objetivo da comunidade tem sido dar combustível para impulsionar as jornadas de cada um.

Mas isso é só o começo…

>> Saiba mais sobre o MoL aqui.

Obs.: ainda não há previsão sobre quando serão abertas novas turmas, mas você pode entrar no meu site e se cadastrar na minha lista de e-mails para ficar sabendo em primeira mão.

Jornada do MoL

As três fases (Exploração, Sprints e Entrega) podem ser descritas da seguinte forma:

  • Exploração (2 semanas): é o momento de olhar para o lado, pesquisar e experimentar para descobrir no que o participante deseja se aprofundar no restante da jornada.
  • Sprints (6 semanas): com um foco definido, a pessoa faz pequenos avanços de maneira sustentada ao longo do tempo a partir de uma mentalidade ágil.
  • Entrega (2 semanas): é a hora de “embalar” o aprendizado e oferecê-lo para o mundo na forma de algo concreto e útil para as pessoas.

Obs.: a fase “Academy” que aparece na imagem é uma extensão do programa voltado para aqueles que querem aprender a facilitar comunidades de aprendizagem autodirigida. Como o foco deste texto é o MoL, não vamos falar dessa parte aqui :)

Quem faz o MoL acontecer

Além de mim (Alex), convidei um time muito especial de tutores para me apoiar na condução do programa.

A função dos tutores é estar mais próximo dos participantes para fornecer ajuda no que se refere a seus caminhos de aprendizagem, quando necessário. A ideia não é que os tutores fiquem oferecendo apoio toda hora (tática que eu carinhosamente apelidei de “cercar o frango”), mas sim que estejam disponíveis caso os participantes precisem.

Aprender a pedir ajuda é uma habilidade fundamental do aprendiz autodirigido.

No decorrer do programa, os tutores criaram grupos no Whatsapp com seus tutorados para facilitar a comunicação. Com o tempo, esses grupos começaram a se encontrar e alguns até ganharam nomes (Sementeiros, Hackers MoLegais, MoL da Quebrada, MóLindes etc). De algum modo, esses grupos são como as diversas “casas” dentro do território de Game of Thrones — a diferença é que a convivência entre eles é cooperativa, e não competitiva :)

Quem são os tutores do MoL:

Quanto mais avançamos na jornada, mais a presença dos tutores tem se revelado essencial nos caminhos de aprendizagem de várias pessoas dentro do programa.

Algumas perguntas de aprendizagem dos participantes

  • Como dominar a arte de fazer boas perguntas?
  • O que te mostrou outras possibilidades de vida?
  • E se meu filho não for pra escola?
  • Como se dá a exclusão dos movimentos artísticos negros e africanos da historia da arte?
  • Quais emoções eu sinto quando aprendo?
  • Como encontrar e criar Tecnologias Humanas que apoiam a convivência?
  • Como levar a autogestão para a academia?
  • Como posso melhorar minha música (rap)?

A pergunta é como um amuleto para o aprendiz autodirigido. Ela serve para lembrá-lo do propósito de sua jornada — que pode mudar ao longo do tempo.

Algumas frases marcantes

Se joga que aqui tem rede!

Se eu não te dissesse o que aprender, o que você aprenderia?

Aqui pode tudo, só não pode perguntar se pode!

Aprendizado não é um murro na boca do estomago, é abrir uma cortina!

Somente um coração agradecido aprende.

Só de estarmos na jornada já é um milagre.

Tudo é um convite.

Na desconfiança, eu provo. Na confiança, eu arrisco.

Portfólio compartilhado do MoL

O carômetro é uma forma de facilitar conexões entre os participantes da comunidade. Por meio de um formulário, pedi aos membros para preencherem os seguintes dados:

O carômetro é um exemplo, dentre muitos outros, de como é possível ser um “netweaver” em comunidades de aprendizagem autodirigida, ou seja, ajudar os membros a multiplicarem os vínculos entre eles.

Carômetro (aplicativo)

Criei um aplicativo utilizando o Glide — uma ferramenta que transforma planilhas do Google em apps — para ser o “carômetro” do MoL.

O carômetro é uma forma de facilitar conexões entre os participantes da comunidade. Por meio de um formulário, pedi aos membros para preencherem os seguintes dados:

  • Pergunta de aprendizagem
  • 2 coisas em que você é faixa-preta (sabe muito sobre)
  • 2 coisas em que você é faixa-branca (quer aprender)
  • Whatsapp
  • Instagram
  • LinkedIn

O carômetro é um exemplo, dentre muitos outros, de como é possível ser um “netweaver” em comunidades de aprendizagem autodirigida, ou seja, ajudar os membros a multiplicarem os vínculos entre eles.

Grupos temáticos

Com quase 200 pessoas, é natural que haja diversidade de interesses na comunidade do MoL. Por isso, desde o início eu já pensava em criar subgrupos temáticos para que os participantes pudessem aprofundar em certos assuntos na companhia de outras pessoas.

O que eu não esperava era que os próprios membros da comunidade começassem a criar esses grupos por iniciativa própria!

Hoje, até onde eu sei, estão ativos os seguintes grupos:

  • Gestão e Impacto MoL
  • MoL Ambiente de Pensamento (Thinking Environment)
  • Biomimética_MoL
  • Facilitação MoL
  • Unschooling no MoL
  • MoL Criatividade
  • MoL Educação Corporativa
  • MoL Futuro das Profissões
  • QE MoL (Inteligência Emocional)
  • MoL — Comunicação no digital
  • MoL Comunidades

Cada grupo desenvolve suas próprias estratégias para explorar o tema: encontros virtuais, compartilhamento de referências, projetos coletivos etc.

Encontros organizados pelos participantes

Além dos grupos temáticos, eu também previa que os membros da comunidade iriam oferecer e participar de encontros para além dos momentos “oficiais” do MoL.

Para facilitar isso, disponibilizei uma conta paga no Zoom — a mesma utilizada para viabilizar as reuniões virtuais do programa — para qualquer participante que quisesse oferecer um encontro.

Alguns encontros que já ocorreram são:

  • PKM (Personal Knowledge Management ou Gestão do Conhecimento Pessoal)
  • Intuição e facilitação
  • Ferramentas de autoconhecimento
  • Biomimética
  • Comunicação e marketing digital

Página oficial do programa

Criei uma página no Gitbook para concentrar todas as informações, conteúdos, links e convites do programa.

O Gitbook é uma ferramenta que possibilita a documentação colaborativa de projetos. Estou usando a versão gratuita e recomendo muito.

Facilitação gráfica

Todo encontro tem uma colheita gráfica realizada por duas participantes da comunidade, a Letícia e a Nycolle.

Muito celebradas na comunidade, as facilitações gráficas servem para sintetizar as sabedorias compartilhadas a cada reunião, e elas também são especialmente úteis para quem não pôde estar presente no encontro.

Para que você tenha uma ideia do que estou falando, clique abaixo para acessar a colheita gráfica do encontro do dia 03/08:

Talks com convidados especiais

Além dos encontros semanais da comunidade, ofereci alguns talks com convidados durante o programa. Veja o que já rolou:

  • Talk 1: Laís Lara Vacco, Conrado Schlochauer e Leo Carraretto (08–07)

Assuntos abordados: como é um percurso de aprendizagem autodirigida na prática, lifelong learning e lifewide learning, cultura de aprendizagem, futuro do trabalho e da educação

  • Talk 2: Amanda da Costa e Tarik Fraig (22–07)

Assuntos abordados: os reflexos das desigualdades social, racial, de gênero e educacional nas possibilidades de seguir um caminho de aprendizagem autodirigida, emancipação da sensibilidade, territórios incolonizáveis

  • Talk 3: Rebecka Koritz e Traian Bruma (05–08)

Assuntos abordados: como criar uma criança autodirigida, universidades livres, porque é perigoso continuar obedecendo a padrões sociais tóxicos, como mudar a educação de dentro pra fora e de fora pra dentro

  • Talk 4: Claudio Thebas e Tânia Savaget (12–08)

Assuntos abordados: coragem de errar e de compartilhar, espontaneidade e autenticidade, como compartilhar o que aprendemos, como lidar com nossas expectativas e julgamentos

Só um adendo: os parágrafos acima definitivamente não fazem jus à riqueza dessas conversas!

Desafios

Ao longo do programa, tenho proposto alguns desafios para os participantes se engajarem com aspectos específicos da aprendizagem autodirigida. Tudo na base do convite, nunca da imposição.

Alguns dos desafios que já rolaram são:

  • Desafio de Entrevistas

Entrevistas são um poderoso instrumento de aprendizagem social. Por isso, na terceira semana do programa, convidei os participantes a entrevistarem uns aos outros dentro da comunidade a partir de interesses comuns. A atividade acabou se tornando também uma forma simples de aprofundar os vínculos entre as pessoas do grupo.

  • Desafio de Pedidos e Ofertas

Comunidades de aprendizagem têm muito a ganhar quando implantam algum tipo de sistema que facilite a troca de pedidos e ofertas entre os participantes. A partir disso, propus a criação de um time de cinco pessoas — todos participantes do MoL — para trabalhar na criação dessa “arquitetura” dentro do programa. Além dos benefícios da solução em si, o processo de se trabalhar em um pequeno grupo para entregar algo concreto também é uma baita experiência de aprendizagem.

  • Arrisca!

O “Arrisca!” é uma forma de abrir espaço dentro dos encontros do MoL para quem quiser compartilhar aprendizados marcantes em sua vida pessoal e/ou profissional. O formato é inspirado nas microaulas, sobre as quais escrevi no livro Kit Educação Fora da Caixa. Por meio de uma inscrição prévia, qualquer membro da comunidade pode ter 5 minutos durante um encontro para realizar sua apresentação.

Alguns temas de Arriscas já agendados são:

  • Como me tornei facilitadora de grupos?
  • Convivendo com a esclerose múltipla
  • Como estar mais consciente no aprendizado

Outros participantes da comunidade também começaram a oferecer oportunidades de colaboração em projetos próprios. Um exemplo é o Davi Rodrigues, que iniciou um grupo de trabalho com outros participantes do MoL dentro da iniciativa Cartas para Sophia.

Conteúdos

Além do seu próprio percurso de aprendizado individual dentro do seu tema de interesse, o participante dentro do MoL é convidado a acessar conteúdos e propostas de atividades semanais relacionadas à aprendizagem autodirigida.

Até o momento, os conteúdos e atividades abordaram os seguintes temas:

  • Semana 1: Uma Outra Visão de Educação
  • Semana 2: Atitudes do Aprendiz Autodirigido + Perguntas de Aprendizagem + Buddies
  • Semana 3: Início dos Sprints + CEP+R + Entrevistas
  • Semana 4: Apreciação + Autodisciplina + Mentores
  • Semana 5: Organização + Curadoria
  • Semana 6: Desafio de Pedidos e Ofertas + Cara de Pau
  • Semana 7: Equilíbrios Dinâmicos do Aprendiz Autodirigido + Diálogo + Arrisca!

Sarau

O Sarau do MoL foi um acontecimento mágico. Antes dele acontecer, fiquei receoso em tentar algo tão “presencial” em um ambiente virtual. Mais uma vez, porém, a realidade me contrariou.

A organização do Sarau foi muito simples:

  • Criei um formulário para coletar inscrições de pessoas interessadas em oferecer algo (esse “algo” deveria ser ofertado em até 5 minutos e poderia ser trecho de livro, poesia, música, desenho, meditação etc)
  • Propus um check-in em pequenos grupos no Zoom a partir da pergunta “O que te serve como lembrete do seu Eu mais autêntico neste momento?”
  • Tivemos a participação do Ciano — que além de tutor do MoL também é um artista de mão cheia — abrindo o Sarau

Na minha percepção, foi um dos momentos de conexão e pertencimento mais potentes que tivemos durante todo o programa. A arte tem esse poder, né?

Playlist compartilhada

Durante o intervalo de um dos encontros do programa, me arrisquei a colocar uma música de fundo no Zoom. Foi o suficiente para que alguns participantes se animassem a criar uma playlist colaborativa da comunidade — bem boa, por sinal.

Acesse a playlist no Spotify clicando aqui.

O MoL é a prova viva de que é possível criar comunidades de aprendizagem altamente engajadoras com pessoas de qualquer lugar do mundo, totalmente online e em pouco tempo.

É o trabalho da minha vida e eu estou profundamente feliz com o resultado.

Só que ainda não acabou! Em breve, vou atualizar esse Dossiê para compartilhar como foram as duas últimas semanas da jornada.

Para ser o primeiro a receber o Dossiê atualizado, entre no meu site e se inscreva na minha lista de e-mails! Link: www.alexbretas.com.

Publicado originalmente em www.alexbretas.com.

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TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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Alex Bretas

Alex Bretas

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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