Eu pareço saber o que estou fazendo, mas na verdade não sei

Quando você me lê nas redes ou nos e-mails, quando você assiste o documentário que eu lancei recentemente, quando você participa de alguma live ou palestra minha, quando você me vê lançando programas como o MoL Academy, pode parecer que eu sei exatamente o que estou fazendo.

Que eu sei muito bem onde eu quero chegar.

Que eu encontrei os caminhos para, ao mesmo tempo, transbordar um trabalho importante para o mundo e ter sustentação financeira.

A verdade é que, às vezes, eu não tenho a menor ideia se o que estou tentando fazer é o melhor a ser feito — pra mim mesmo e para o planeta.

Com alguma frequência, eu duvido muito disso.

Ontem foi um desses dias que eu surtei.

(E eu acredito que surtar é fundamental nessa sociedade doente que temos. É um sinal de sanidade)

Eu não consegui trabalhar quase nada ontem, justamente no dia em que o MoL Academy foi lançado (o dia de lançamento de um curso é um dos dias mais penosos para quem trabalha nessa área — talvez você saiba disso por experiência própria).

Eu me vi paralisado comendo muito chocolate e tomando cerveja, sem qualquer vestígio de cuidado com o meu corpo e com aquilo que eu havia intencionado com essa ação.

Tudo começou quando eu percebi que o primeiro dia de inscrições do curso não estava indo muito bem. “Poxa, mas eu me esforcei tanto, como é que isso foi acontecer?”

Tinha lá algumas inscrições, mas nem de perto era o sucesso bombástico da turma do MoL Academy no ano passado (que esgotou em menos de 48 horas).

Mas não foi exatamente um sentimento de frustração que me tomou. Foi angústia, mesmo. Uma angústia que eu não estava sabendo lidar.

Essa sensação veio a partir de uma escalada de questionamentos internos em profundezas cada vez maiores:

  • “Será que eu estou tentando ganhar dinheiro de um jeito que considero ético e saudável para o planeta?”
  • “Será que, ao estipular um valor alto para o MoL Academy (R$ 6.200,00), mesmo acreditando que vale, eu não estaria contribuindo para a manutenção — e talvez o acirramentodas desigualdades estruturais que assolam o mundo?”
  • “Será que eu gostaria de me envolver com outras dinâmicas econômicasa economia da dádiva, por exemplo?”
  • “Será que eu só comecei a me questionar sobre tudo isso porque… o primeiro dia de inscrições estava indo mal?”

Essa última pergunta me quebrou por dentro.

Nós vivemos em uma sociedade capitalista, predatória e profundamente desigual. O planeta está adoecendo por causa disso, e as pessoas também.

Muita gente trabalhando em empregos maçantes e sem significado porque sente que não há outra opção. Muitas empresas se beneficiando egoisticamente desses trabalhos sem alma — e fodendo o planeta a partir disso.

Essa última pergunta me quebrou por dentro porque, com ela, eu pude enxergar a minha incoerência. Qual ideal de sociedade eu quero ajudar a construir, afinal?

(Eu acredito que todo ser humano é, via de regra, incoerente. Faz parte do que significa ser humano. Ainda assim, pode ser bem árido tomar contato com esse aspecto da nossa humanidade)

“Hmm, mas se eu estivesse vendendo super bem e ganhando um bom dinheiro, é provável que nada disso passasse pela minha cabeça”.

Gosto amargo na boca.

Desde que eu comecei o MoL em 2020, eu venho trabalhando com lançamentos digitais.

A lógica é mais ou menos assim: você oferece muito valor para o seu público continuamente, geralmente via conteúdo de qualidade, e em alguns momentos do ano você lança um produto pago — não sem antes fazer uma baita estratégia para atrair a atenção das pessoas por meio de uma ação gratuita e amplamente divulgada.

Esse produto fica disponível por pouco tempo, pois assim você aumenta as chances das pessoas decidirem comprar (disso eu até gosto por um outro motivo: com poucos dias do ano focados em vender, sobra muito mais tempo para eu fazer outras coisas que me dão mais tesão).

Eu não condeno quem trabalha a partir desse método. É um caminho válido e que eu pretendo continuar utilizando.

O problema é quando o empreendedor digital (e, no limite, qualquer pessoa) deixa de refletir criticamente sobre como as suas maneiras de ganhar dinheiro impactam o coletivo. Ou melhor: como elas eventualmente reproduzem abismos sociais.

A última pergunta me quebrou por dentro porque ela me mostrou que eu também posso me tornar essa pessoa que deixa de refletir. Que se entorpece com o dinheiro e encontra toda sorte de justificativas para manter seus privilégios.

Uma pessoa incoerente.

Tem uma parte de mim que não queria estar escrevendo isso agora. Essa parte de mim só queria estar divulgando o MoL Academy, fazendo lives, produzindo conteúdos, esclarecendo dúvidas de interessados, enfim, vendendo o curso.

Só que uma outra parte de mim — que, com este texto, eu declaro vencedora — precisou de uma pausa. Precisou surtar. Precisou conversar horas com a namorada e ligar para a amiga, aflito, a fim de discutir as raízes das opressões sistêmicas.

Quais outras sociedades são possíveis, quais outros mundos são possíveis. E qual a minha contribuição nisso.

No fundo, talvez você pense que eu esteja sendo marqueteiro ao contar tudo isso, mas eu te juro que não é esse o ponto. Escrevo aqui como fruto de uma escolha consciente em me abrir, em me vulnerabilizar, porque no fundo eu sei que você também precisa se haver com as suas incoerências.

Talvez a gente se vendo, se enxergando, se aceitando, se reconhecendo, talvez esse seja o primeiro passo para criar alguma coisa que realmente faça sentido no mundo.

Quer você chame de “capitalismo”, “sistema”, “status quo” ou o nome que for, eu acredito que precisamos urgentemente repensar as lógicas pelas quais a sociedade funciona em todos os seus pilares: econômico, cultural, ambiental/climático, relacional, espiritual.

E todos nós fazemos parte disso de alguma forma. Tudo está interligado.

Ontem eu pensei em cancelar o MoL Academy porque achei que, de algum modo, ele estava contribuindo para alimentar um ideal de sociedade que eu não acredito.

Eu amo profundamente o MoL. A comunidade que se formou em torno desse programa me nutre de inúmeras formas, desde as minhas amizades e conexões mais próximas até as infinitas oportunidades de aprendizado e apoio mútuo que ela gera.

O mantra “se joga que aqui tem rede” é real. E poucas vezes eu vivenciei algo parecido.

No encontro Pós-Doc na terça-feira, a Marcelle não conseguiu estar presente porque precisou levar nosso cachorro no veterinário às pressas. A primeira pessoa que eu liguei para substituí-la foi minha amiga-irmã, a Ju, tutora e companheira de aventuras no MoL.

Ela aceitou meu pedido sem pensar duas vezes. Entrou nos 45 do segundo tempo e arrasou, como sempre.

Isso é o MoL.

São muitos os casos do “se joga que aqui tem rede” na prática. Não tem preço. Só vivendo para entender.

Se o que acontece no MoL é tão valioso, então será que isso não deveria estar disponível pra todo mundo?

Sim, com certeza. Senso de comunidade é um bem público. A capacidade de aprender a aprender e de praticar o “não sei” junto de outras pessoas, também.

Só que eu ainda tenho dívidas para pagar. Um certo padrão de vida que desejo manter. Confortos que ainda me são necessários de alguma forma. “Necessidades” criadas por esse mesmo sistema falido, mas no qual eu também nasci e fui criado, assim como todos nós.

Sobretudo, eu valorizo a liberdade de poder usar meu tempo para construir as coisas que realmente fazem sentido pra mim, dentre elas o MoL. Eu demorei muito para conquistar isso — algo que deveria estar disponível a todos desde o início da vida.

Se eu não ganho dinheiro, das duas uma: ou eu me converto em um hippie que se lança no mundo sem depender de quase nenhuma renda, ou eu acabo tendo que vender meu tempo para sustentar o padrão de vida que escolhi.

Vender meu tempo para fazer coisas que eu não acredito não é uma opção admissível pra mim neste momento (a opção de virar hippie, porém, não está descartada).

Hoje, a minha escolha é por tentar ganhar algum dinheiro com o trabalho que eu desejo colocar no mundo. Na realidade, o MoL Academy até consegue ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, uma vez que o ofício do Arquiteto de Aprendizagem Autodirigida pode muito bem gerar renda para quem o realiza.

Eu sempre fui meio afobado quando criança. Meu professor de handebol na escola vivia me dizendo: “Alex, quando você receber a bola, CALMA, não precisa se afobar. Olha pros lados e pensa no que você vai fazer”.

Este textão é a minha tentativa de fazer o que o Kenyinho sempre me falava no handebol — “CALMA, pensa no que você vai fazer” — e que eu raramente conseguia aplicar.

É a minha tentativa de ser menos impulsivo e mais integrador.

E você pode estar se perguntando:

“Ok, e agora? O que muda e o que não muda no lançamento do MoL Academy?”

Em alto e bom som, o que muda é que:

Se você tem interesse em fazer o MoL Academy e se tornar um Arquiteto de Aprendizagem Autodirigida, então pode ter certeza que nós iremos viabilizar isso juntos.

Não tem o valor integral da formação? Então fale comigo por Whatsapp através deste link. A gente vai dar um jeito. Sério.

Tem outras coisas que eu ainda estou planejando, mas delas eu falo em outro momento.

A autodireção remexe nossas entranhas. E eu gosto de ser um livro aberto.

Saiba mais sobre o MoL Academy e inscreva-se aqui:

>> https://alexbretas.com/molacademy

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TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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Alex Bretas

Alex Bretas

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