Que Jair Bolsonaro tenha saúde e sabedoria para governar. Na minha utopia, não existem governantes nem pessoas governadas, mas se hoje existe um governo, que ele seja o mais democrático e atento possível. Bolsonaro jurou respeitar a Constituição e a democracia. Estaremos de olho nesse juramento. E resistiremos à toda e qualquer manifestação de ódio, discriminação e opressão, não uma resistência opaca e dura, e sim uma resistência que se refaz a cada dia, que ocupa com vigor os espaços, que se percebe também incompleta, que reconhece seus pontos cegos.

Que Fernando Haddad possa ter o descanso merecido. Contra todas as adversidades, ele espalhou paz por onde passou. Foi vítima da construção ideológica de um inimigo, o PT, e revidou tentando construir mais um, o fascismo.

Em grupos de Whatsapp, tem circulado a seguinte frase, atribuída a Hemingway:

Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

‐ E isso importa?

‐ Mais do que a própria guerra.

Sim, quem está perto de nós pronto para nos apoiar importa muito. Mas eu não quero mais viver na guerra. Vamos evitar metáforas de guerra. Metáforas são formas de linguagem poderosas que constroem realidades. A separação é uma ilusão. Jair Bolsonaro — e o que ele representa cultural e politicamente — também está dentro de nós.

Não quero com isso dizer que nós devemos parar de resistir, abrir diálogos e defender as minorias. Mas eu não sei como será o governo de Bolsonaro. Eu não sei como será o governo de João Dória. Eu não sei o que vai acontecer. Eu não conheço essas pessoas, por mais que meus círculos e o caldo cultural no qual estou inserido quase me forcem a ter opinião formada e a emitir julgamentos. Se eu penso que sei, me cristalizo e começo a bater. Crio a guerra.

Eu confio no poder das pessoas de serem protagonistas de suas realidades. Mesmo se os governos forem desastrosos, nós vamos nos reinventar. A aprendizagem deve ser constante, e aprender não é conhecer, aprender é se permitir desconhecer para seguir infinitamente investigando e se refazendo. Por favor, não caia na armadilha do “eu sei”, pois ela é a responsável pelo clima de polarização que vivemos.

Tanto Bolsonaro quanto Haddad e Lula falaram de unir o país. Outras candidaturas também manifestaram o mesmo desejo. Talvez seja mesmo o momento de cultivar a união, mas não em torno de uma figura mítica e salvadora porque isso é estratégia de conquista, como nos ensinou Paulo Freire. Precisamos cultivar a união entre as pessoas comuns, com o frentista do posto, com a enfermeira, o colega de trabalho, a irmã que votou no Bolsonaro e o filho que votou no Haddad. Precisamos cultivar a união entre nós sem delegar essa função a um governo, seja ele qual for. Precisamos de novos sonhos coletivos, conversas propositivas, abertura radical, conexão. Ninguém está vindo nos salvar e isso é maravilhoso.

Cultivar a união é o mesmo que amar, porque o amor é unir o que está separado. Que toda resistência seja feita com amor. Que toda luta nos permita alargar nosso olhar em vez de estreitá-lo. Dói admitir, mas Jair Bolsonaro também sou eu, assim como você também é o PT. Eu sou a corrupção, assim como você também é o fascismo. A aventura de viver não veio com manual e, se tem algo que me consola, é que está todo mundo junto nisso daí.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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