Learning Out Loud (Aprendendo em Voz Alta)

Um termo que me chamou atenção recentemente foi working out loud (trabalhando em voz alta). Escutei a expressão pela primeira vez no PechaKucha do Jonathan Anthony e, desde então, eu, o Conrado Schlochauer, a Marcelle Xavier e a Mariana Jatahy temos nos referido bastante a ela.

Working out loud é mais do que compartilhar aquela foto do projeto que deu certo no LinkedIn. Isso todo mundo faz — e, cá entre nós, estamos um pouco cansados disso.

O termo remete a uma atitude mais profunda e honesta sobre o compartilhar. Será que temos coragem de falar sobre nossos fracassos no trabalho? Será que conseguimos escrever sobre o que nos aflige, sobre o que aprendemos, sobre uma ideia que estamos pensando, mas que ainda não atingiu a maturidade?

A ideia do working out loud é compartilhar durante, e não só no final. O ato de compartilhar é visto então como um caminho para nos ajudar a extrair sentido do que estamos fazendo e testando a cada momento. Você compartilha quase como se estivesse escrevendo um diário sobre suas aventuras profissionais, sem esperar uma chuva de likes por isso. Você compartilha porque está se sentindo empolgado, angustiado, ansioso, confuso ou simplesmente porque deseja se conectar com alguém. No fundo, o compartilhamento do working out loud é uma busca por se conectar com ninguém menos que… você mesmo.

Mas e se, para além do trabalho, a gente pudesse praticar também o learning out loud (aprendendo em voz alta)?

Na verdade, o próprio conceito de working out loud já traz consigo uma conexão íntima com o aprendizado. O que você está aprendendo enquanto trabalha e como seria possível compartilhar isso de forma generosa com o mundo? Essa é a ideia central. Mas será que o learning out loud poderia se referir a algo mais?

Refletindo sobre minha jornada de aprendizagem autodirigida até aqui, me parece que talvez eu tenha encontrado um nome para algo que venho fazendo há muito tempo.

Ter criado um financiamento coletivo para viabilizar um projeto de aprendizagem foi o primeiro passo. Quer algo mais “out loud” do que uma campanha de crowdfunding? Com o projeto, eu conquistei uma coisa muito mais valiosa que dinheiro: conexões verdadeiras com pessoas cujo propósito ressoava com o meu. Pessoas que queriam aprender junto comigo o que eu estava me comprometendo a aprender.

Em seguida, foi fundamental pra mim ter encontrado um canal consistente pra me expressar. E esse canal foi o Medium. Faz uns 6 anos que escrevo meus aprendizados no mesmo lugar — embora recentemente eu esteja investindo também em algumas redes sociais (LinkedIn, Instagram e Facebook) e no blog dentro do meu site. Mas o Medium sempre foi a base (se você ver um texto meu publicado em outro lugar, é quase certo que ele foi escrito primeiro no Medium). Sabe quando algo soa deliciosamente familiar e te fornece a tranquilidade necessária para se concentrar naquilo que mais importa no momento? Pois é.

O Medium foi se tornando o repositório dos principais achados dentro dos temas que eu queria me aprofundar. Uma espécie de commonplace book aberto.

Desde então, o que vem sustentando minha experiência com o learning out loud pode ser resumido em uma palavra: rotina. Em algum momento nos últimos 5 anos, eu coloquei pra mim mesmo que escrever com frequência sobre o que estou aprendendo é uma rotina que eu não estou disposto a abrir mão. Primeiro porque ela me organiza internamente, e segundo porque ela permite que outras pessoas aprendam junto comigo, quase que em tempo real.

Assim como o working out loud, a ideia do learning out loud é ir compartilhando o que você está aprendendo no momento, e não somente o que você já domina. Existe público pra isso. Quando você expõe o que está investigando em voz alta, você assume uma postura de humildade, e as pessoas são capazes de farejar isso. Conexões autênticas surgem a partir daí, pois também já estamos cansados de quem acha que sabe tudo.

Cada um vai encontrar sua própria forma de aprender em voz alta. Não importa se é escrevendo, gravando vídeos ou podcasts, postando conteúdo no Instagram ou no TikTok ou simplesmente contando seus aprendizados para as pessoas à sua volta. Encontre um jeito que seja confortável pra você.

No futuro que já chegou, seu cartão de visita não é o que você sabe, mas o que você está aprendendo. Mostre isso ao mundo.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com