Multiversidade: 1º encontro — 03/11/16

Uma universidade livre é possível

O primeiro encontro de apresentação e cocriação da Multiversidade superou nossas expectativas. Por volta de 50 a 60 pessoas compareceram, um recorde! Sinal de que a proposta de criação de uma universidade democrática realmente chamou a atenção de muita gente.

O primeiro momento da noite foi algo parecido com um speed dating: uma sucessão de rápidas interações com todos de pé, embalados pela pergunta “Qual história que vivi me fez vir até aqui hoje?”. A ideia era começar a criar um campo intimista a partir do qual a semente da universidade livre — cuja substância maior é o afeto — pudesse germinar. Afinal, todos ali haviam se sentido chamados pelo convite da Multiversidade por algum motivo, e o diálogo nos ensina que sempre que há um motivo, há uma história de vida por trás. No fim das contas, várias das histórias se encaixavam em algum ponto.

Speed dating de histórias significativas.

Em seguida, apresentei as bases do projeto focalizando especialmente os casos que têm nos servido de inspiração. A Universidade Shure, no Japão, foi a primeira a ser retratada.

Apresentação de Kageki Asakura, um dos fundadores da Shure, feita na IDEC@EUDEC 2016. Traduzido livremente por mim.

Após a experiência japonesa, foi a vez de abrir alas para o nosso convidado de honra: o romeno Traian Brumă, um dos fundadores da Universidade Alternativa (Universitatea Alternativă) em Bucareste, capital do maior país do sudeste da Europa. Traian está no Brasil por conta de uma extensa viagem ao redor do mundo em busca de aliados na construção de um novo modelo de universidade. Ele esteve conosco e nos brindou com uma apresentação maravilhosa em espanhol — com direito a escorregadas desapercebidas para o inglês de vez em quando. Com certeza sua fala foi um dos pontos altos do encontro.

Apresentação do Traian feita durante o encontro.
O Traian apresentando.

Após mencionar rapidamente mais alguns projetos, apresentei em linhas gerais o “Grande Sonho” da Multiversidade.

A Multiversidade é uma comunidade de pessoas que querem se aprofundar nos assuntos que mais as fascinam. Que querem desenvolver as habilidades que julgam imprescindíveis para fazerem o que querem fazer e para serem quem elas querem ser. Que querem contribuir decisivamente para a sociedade a partir dos impulsos que as movem.

Ao concretizarmos esse sonho, vamos ajudar a estabelecer uma rede global de universidades alternativas. Acredito muito no poder dessa rede de transformar a educação superior como a conhecemos hoje.

Durante a minha apresentação, falei ainda sobre os valores que sustentam o projeto da Multiversidade, bem como apontei alguns rumos a respeito da implementação da ideia e de seu funcionamento. Veja mais detalhes abaixo:

Os slides da apresentação que utilizei no encontro.

Depois disso, abrimos uma roda de conversa tomando como base a pergunta “Como a Multiversidade ressoa em você?”. Durante uma hora, várias pessoas compartilharam como se sentiam em relação à iniciativa, além de suas dúvidas, preocupações e anseios.

Resumidamente, os pontos que se destacaram foram:

  • Gratidão pela emergência desse movimento e vontade de se aproximar, conhecer mais e se envolver.
  • Dúvidas quanto aos métodos de avaliação e certificação que seriam adotados pela Multiversidade. Quanto a isso, ainda não temos uma resposta definitiva, mas há algumas possibilidades interessantes: as badges ou microcertificados, por exemplo, têm sido utilizadas com sucesso na Universidade Alternativa na Romênia.
  • Alerta aos navegantes: participar de um projeto como a Multiversidade irá requerer altas doses de reflexão interna e desconstrução constante. Nos defrontaremos com os limites turvos de nossas visões de mundo e aí é que poderemos fazer uma escolha se iremos alargá-las ou não. Isso dói.
  • Preocupação com questões de diversidade e inclusão social do projeto. Algumas pessoas chamaram atenção para o fato de que a Multiversidade precisa ser inclusiva e incorporar saberes diversos em sua composição (sabedorias indígenas e africanas e culturas das periferias, por exemplo).
  • Foi salientado que a Multiversidade deve criar um projeto educativo que priorize as interações com o território, aproveitando as diversas nuances que a cidade tem a oferecer.

A Multiversidade começará suas atividades em março de 2017 a partir de um grupo de 20 a 30 corajosos que decidirem embarcar juntos nessa jornada. Tem interesse em fazer parte? Então fala comigo no alexbretas11@gmail.com.

Não foi desta vez?

Em breve haverá mais um encontro da Multiversidade. Daqui a alguns dias posto aqui no blog as informações ;)

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com