“O cérebro vazio” — Robert Epstein: síntese e reflexões sobre o artigo

O link do texto traduzido segue abaixo:

  • Rejeição à comparação do cérebro a um computador. Metáforas para explicar o intelecto humano referem-se sempre às descobertas consideradas mais avançadas em cada período (hidráulica, mecânica e, agora, computação).
  • Essa ideia, por ser muito difundida, gera problemas e promessas que não podem ser cumpridas. O problema da memória vale ser ressaltado. Como Sugata Mitra diz, não existe memória.A ideia, defendida por vários cientistas, de que memórias específicas estão, de alguma maneira, armazenadas em neurônios individuais é ridícula”.
  • Experimento da nota de um dólar: a diferença brutal entre lembrar e reconhecer. Somos muito melhores em reconhecer do que lembrar.

Lembrando “de memória”:

Reconhecendo (vendo a nota):

  • Várias áreas do cérebro (e não “slots” específicos) são ativadas em tarefas relacionadas à memória. Quando emoções fortes estão envolvidas, a atividade cerebral é ainda mais intensa e distribuída.
  • Isso posto, como explicar, então, o fenômeno da aprendizagem? Por exemplo, um pianista que toca “de cabeça” uma sinfonia perfeitamente (ou que sabe improvisar de forma certeira em um concerto de jazz)? O que ocorre, segundo Epstein, é uma série de mudanças neuronais ordenadas — dependentes não só da genética do indivíduo, como do conjunto das experiências únicas de vida que ele teve — que tornam todo o sistema mais adaptado para performar de determinada maneira face a uma circunstância específica. Essas mudanças (aprendizagens) acontecem porque, como seres sociais, estamos sujeitos a certas recompensas caso consigamos desenvolver certos comportamentos, assim como somos punidos se desenvolvemos (ou deixamos de desenvolver) outros. Entendendo isso, o pianista que deseja aprimorar sua habilidade treina incessantemente para fazer com que seu sistema nervoso se modifique, a fim de que consiga tocar o que quer tocar e seja recompensado por isso (extrinsecamente — isto é, socialmente — e, por que não, intrinsecamente, dado o provável prazer — o flow — que ele sente ao tocar).
  • Exemplo do jogador de baseball pegando uma bola no ar: pela metáfora do processamento de informação (cérebro como computador), o cérebro do jogador precisaria calcular uma série de coisas — ângulos, velocidades, trajetórias — para então ordenar ao restante do corpo que agisse de determinada forma. Ao enquadrar a questão sob uma perspectiva anti representacional, o jogador simplesmente se põe a correr e, no caminho, vai interagindo com a bola e se adaptando dinamicamente ao que sua percepção lhe diz (de modo a configurar uma certa “trajetória linear óptica”).
  • “[…] tudo o que é necessário para nós funcionarmos no mundo é que o cérebro mude em uma forma ordenada como resultado de nossas experiências”.
  • Assim, aprender é “mudar com o mundo” (Humberto Maturana).
  • Pelo fato de cada pessoa contar com um sistema neuronal não apenas geneticamente singular, como também diferente do ponto de vista de seu histórico de infinitas interações com o mundo externo, a neurociência torna-se uma tarefa muito mais complexa. É impossível compreender como o cérebro humano funciona sem entender o sistema em que ele se insere: a pessoa, seu contexto social e cultural, as circunstâncias que compreendem a situação específica que se deseja entender etc etc etc.
  • Por fim: “Nós somos organismos, não computadores. Supere. Vamos começar com o negócio de tentar entender a nós mesmos, mas sem sermos sobrecarregados com bagagem intelectual desnecessária. A metáfora do processamento de informações já teve seu meio século, produzindo poucos insights pelo caminho, se é que os produziu. Chegou a hora de apertar DELETE”.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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