O que a programação está revelando sobre a aprendizagem do futuro (que já está acontecendo agora, em alguns lugares e para algumas pessoas que já a assimilaram)

Aprendi com Matthieu Le Roux.

O professor só desenha exames que ele consiga corrigir. E os corrige medindo a distância das respostas para uma única norma de excelência. O melhor aluno é quem melhor replica (raramente inventa) uma maneira de resolver o problema em questão.

(…)

O jeito que ensinamos a maioria das matérias na escola tradicional soaria ridículo para qualquer programador. “Por favor, aprenda essa nova linguagem de programação. Você terá que decorar a documentação inteira e não pode acessar Stackoverflow ou Github (comunidades online com perguntas e respostas de programadores)”

Eu já tinha percebido que a programação é um campo que antecipa tendências, mas a forma como Matthieu coloca essa questão é maravilhosamente incisiva.

Se já vivemos num mundo regado à Inteligência Artificial, vamos precisar desenvolver mais boas doses de Imaginação Humana.

Ler o texto de Le Roux me provoca ainda a elaborar outra reflexão, que há tempos passeia por mim.

Você não precisa aprender “o básico” de algum assunto para poder “passar para o próximo nível”. Não precisa ler Platão e Aristóteles para então compreender Nietzsche, se é na obra de Nietzsche que você tem interesse. Repito: não precisa. Caso você queira ou sinta necessidade de ler Platão por causa de algo que te inquietou durante a leitura de Nietzsche, ótimo. O fio condutor que liga as aprendizagens é o interesse, o desejo de quem aprende. Assim, a narrativa que cada um cria torna-se única, dado que o interesse é uma variável complexa que bebe de todos os contextos nos quais se insere a pessoa.

Essa ideia de que precisamos aprender a partir de uma cronologia linear e sequencial de conteúdos já era. Nada de ruim vai acontecer se nossos desejos — e nossas necessidades percebidas ao longo da materialização de nossos desejos — guiarem nossa aprendizagem. Juro.

No mundo do código, um programador iniciante geralmente aprende algumas linhas específicas de HTML porque deseja que seu site tenha um menu com certas características, por exemplo. Depois que o menu fica do jeito que ele quer, ele parte para o próximo desafio. E assim vai.

Ele sabe que pode consultar a maior e menos burocrática biblioteca do mundo (a Internet, organizada pela busca e não por estantes e categorias) e os fóruns de perguntas e respostas de programação online. Como Matthieu diz, ele também sabe que são os seguidores, as curtidas e as visualizações que lhe darão o reconhecimento e os feedbacks de que ele precisa para se aprimorar.

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