Peter Gray on the Evidence for Self-Directed Education

Anotações a partir da entrevista conduzida por Blake Boles

Peter Gray.

Link da entrevista (áudio em inglês):

Dois critérios para avaliar sistemas educacionais:

Tradicionalmente, a avaliação educacional (inclusive os instrumentos de avaliação internacionais) baseia-se no “aprendizado” de determinados conteúdos dentro de um certo período de tempo.

Outras pessoas que pesquisam educação autodirigida na academia:

O filho de Peter Gray não se adaptava à escola tradicional. Foi parar, então, numa Sudbury Valley School. Foi aí que Gray começou a se interessar em pesquisar essas alternativas educacionais.

Escolas livres: crianças podem fazer o que quiser, desde que não quebrem as regras da escola. E as regras são criadas democraticamente.

Será que toda pessoa que se forma numa escola livre está fadada a ser artista ou músico? Preocupação que Gray tinha quando o filho entrou na Sudbury.

Não havia interesse em se fazer pesquisa nessas escolas, então Peter Gray entendeu que teria de fazê-lo ele mesmo. Foi atrás de pessoas que se formaram em escolas livres (modelo Sudbury). Ao analisar os resultados da pesquisa com as pessoas formadas, entendeu que não precisaria se preocupar com o futuro do seu filho. Muitas delas se formaram na faculdade (porque escolheram conscientemente fazê-lo), havia cientistas, pessoas que trabalhavam em projetos sociais, empreendedores e, sim, havia músicos também (alguns bem famosos inclusive). Não houve um grupo-controle, ou seja, é impossível dizer se essas pessoas tiveram vidas melhores do que teriam se tivessem ido para a escola tradicional. Mas muitas dessas pessoas foram parar na escola livre porque estavam tendo problemas sérios no sistema tradicional.

De fato, Gray descobriu que as crianças são felizes nessas escolas.

Escolas alternativas/progressistas, num espectro mais amplo, em geral têm semelhanças com a escola tradicional. Sudbury/unschooling é outra coisa: as pessoas realmente podem fazer o que quiser sem ser incomodadas. Professores, nessa outra configuração, não entendem que é sua responsabilidade fazer as crianças aprenderem. É sua responsabilidade criar um ambiente seguro, onde as crianças se sintam felizes e onde existam oportunidades de aprendizagem disponíveis.

“Crianças vêm ao mundo morrendo de vontade de educarem a si mesmas”. “Curiosas, brincalhonas, sociais” — principais drivers de aprendizado da criança.

“Será que meu filho/minha filha vai conseguir se sustentar na vida adulta com uma educação autodirigida?” Cada vez mais, precisaremos de pessoas autodirigidas, que saibam aprender durante toda a vida. Quase ninguém tem empregos seguros nos dias de hoje.

“É possível fazer unschooling e ter um ótimo resultado” — resultado da pesquisa com unschoolers. Não prova que sempre vai dar certo com qualquer pessoa. Funciona se você tiver uma família funcional, estruturada e conectada com uma comunidade. Por exemplo: pais depressivos não deveriam fazer unschooling.

“Escolas livres funcionariam para crianças em situação de vulnerabilidade social/pobreza?” Algumas pessoas dizem que não. Peter Gray acredita que essa alternativa seria especialmente interessante para esse segmento, porque as crianças pobres teriam acesso, nessas escolas, a uma estrutura/cultura intelectual usualmente reservada às elites. Exemplo de escola livre gratuita: Philly Free School (Filadélfia — EUA).

Critérios que Gray utilizaria para conduzir um estudo sobre a efetividade de escolas livres (Sudbury) para crianças pobres:

O fenômeno do unschooling/homeschooling nos EUA é um fenômeno de classe média (Blake Boles). Há famílias de renda mais baixa que também optam por esse caminho, mas geralmente isso se dá por uma escolha por uma vida mais simples (não buscar uma renda maior para ter mais tempo livre, mais tempo para a família, etc).

Pesquisas em educação não costumam ser de longa duração, e isso é um problema. Pode gerar distorções graves. Geralmente, as pesquisas costumam ser assim: “vamos ensinar a um grupo de crianças as respostas para um teste, e para outro grupo não vamos ensinar. E depois vamos aplicar o teste”. É claro que as crianças que tiverem acesso às respostas vão se sair melhor. E aí a pesquisa conclui que é importante ensinar essas coisas. Não necessariamente. Estudos de longa duração mostram que esse “melhor” resultado acadêmico não costuma durar muito. E esses estudos desprezam completamente todas as outras coisas que as crianças aprendem enquanto não estão sendo ensinadas e que são imprevisíveis.

“Cada criança aprendendo de maneira autodirigida está aprendendo uma coisa diferente. Não é possível avaliar com base em comparações a respeito do ‘quão bem’ as crianças absorveram determinado conteúdo”

Gray conhece pesquisadores que estão pesquisando afro-americanos que praticam unschooling.

Artigos relacionados a pesquisas com o modelo Sudbury foram enviados para a Harvard Education Review, mas foram recusados. Depois, Gray descobriu que os estudos não foram recusados pela baixa qualidade acadêmica, e sim porque apresentavam resultados que favoreciam as escolas Sudbury, e Harvard não queria vincular sua imagem a nada que dissesse que o modelo Sudbury é vantajoso.

Outro motivo que Gray aponta que costuma dificultar o aceite de artigos sobre escolas livres/educação autodirigida é o argumento de que essas alternativas educacionais são limitadas a um público muito pequeno. Elas não lidam com os “problemas reais” da educação. Quanto a isso, Gray afirma que “o objetivo da pesquisa não é só documentar/avaliar o que já existe, mas também apontar quais são as possibilidades, o que poderia estar acontecendo”.

Dois periódicos voltados para educação alternativa:

“O propósito desses estudos [os novos estudos que Gray quer fazer] não é provar que a educação autodirigida funciona, porque pra mim é claro que ela funciona, e sim investigar quais são as várias maneiras pelas quais as pessoas se educam, quais são os tipos de coisas pelas quais essas pessoas passam [nesses ambientes], como podemos relacionar o que uma criança ou adolescente faz nesses ambientes e o que ele/ela vai fazer mais tarde em sua vida, o que alguém que se formou nesse ambiente diria sobre as vantagens e desvantagens de ter tido uma educação livre”

Peter Gray finaliza com o seguinte comentário:

“Onde o ônus da prova deve recair? Sobre um sistema que obriga crianças e adolescentes a permanecer num determinado lugar e a fazer determinadas coisas, ou sobre um modelo que as deixa decidirem por si mesmas o que fazer? Só devemos insistir num sistema educacional compulsório se tivermos provas muito convincentes de que isso é importante. Como sociedade, nós não permitimos colocar pessoas na prisão, a não ser que tenhamos uma prova sólida de que elas são uma ameaça. Nós não permitimos que a sociedade coloque pessoas adultas num hospital psiquiátrico, a não ser que tenhamos provas de que elas representam perigo para elas mesmas. E, ainda assim, nós colocamos crianças nesse mesmo tipo de instituição apenas por causa de sua idade. E nós não temos nenhuma prova de que suas vidas são melhores por causa disso, ou de que a sociedade está melhor porque elas estão lá.”

Artigos de Peter Gray na Psychology Today.

Para saber mais sobre mim, acesse o site www.alexbretas.com.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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