Por mais “entendimentos” e menos “saberes” ou “conhecimentos”

Quando penso que alguém “sabe” algo, a ideia que se forma na minha cabeça é que ela sabe alguma coisa de maneira absoluta. Ela, de algum modo, conseguiu “acessar” a verdade sobre aquilo. Se outras pessoas também sabem, então é porque elas também acessaram “o” conhecimento. Como se houvesse conhecimento/verdade única. Isso gera um distanciamento entre quem sabe e quem não sabe. E me soa como um distanciamento binário, um abismo mesmo entre quem conhece e quem ignora.

A palavra “entendimento”, por outro lado, me agrada mais, porque quando ouço alguém dizer que tem um determinado entendimento sobre algo, isso não me leva a pensar que ela sabe e eu não sei. Eu também posso ter meus entendimentos. Há entendimentos mais relevantes que outros, sim, mas isso é sempre decidido de maneira contextual e intersubjetiva. Contextual significa dentro de um certo domínio de linguagem-ação. Intersubjetivo significa que serão sempre as pessoas em interação é que, ao perceberem algo como relevante ou não, ou mesmo o grau de relevância, é que criarão sistemicamente os consensos semânticos.

Em vez de perguntar “você sabe isso?”, proponho testarmos “como você entende isso?”

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TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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