Por que o Ministério da Educação não discute educação?

Ontem o novo ministro da educação, Abraham Weintraub, tomou posse. Estão dizendo que será mais desastroso que seu antecessor, Ricardo Vélez. Ambos são loteamentos político-ideológicos em um ministério que supostamente deveria cuidar de políticas públicas de Estado.

A descontinuidade das políticas por conta de trocas de governo já é uma velha conhecida da gestão pública no Brasil e no mundo. Só que agora o buraco é mais embaixo: a área educacional está refém de uma ideologia cujo guru é um astrólogo frustrado. Os militares também têm sua parte no bolo. O que os une? A luta para erradicar um certo “marxismo cultural”.

O planeta vive uma guinada ultraconservadora, as empresas de tecnologia nunca nos controlaram tanto, os bancos continuam batendo recordes de lucro, e a gente ainda precisa escutar esse tipo de coisa.

Enquanto países como Finlândia discutem sobre aprendizagem baseada em fenômenos, estamos lutando contra um inimigo inexistente. Enquanto o governo de Israel já apoiou a criação de dezenas de escolas democráticas, nosso novo ministro diz que seu diferencial é a “gestão” e que universidades nordestinas não devem ensinar filosofia, e sim agronomia.

Não temos sequer um governo capaz de colocar as políticas públicas no centro do debate. Quanto mais apontar caminhos inovadores. O Mapa da Inovação e Criatividade, iniciativa do MEC durante a gestão de Renato Janine, sumiu do mapa. Não por sorte, o projeto já havia sido encampado pela sociedade civil e agora está sendo atualizado pelo Movimento de Inovação na Educação.

Juscelino dizia que faria o Brasil avançar 50 anos em 5. Minha sensação hoje é que retrocedemos 50 anos em 3 meses.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

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