Quer organizar uma resid√™ncia de aprendizado? 10 pontos pra se atentar ūüĎÄ

Alex Bretas
6 min readMay 29

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O universo é mesmo muito generoso.

Poucos dias depois de ter publicado sobre a Residência Mol nas redes, algumas pessoas já vieram falar comigo oferecendo casas.

Na semana passada j√° fechamos o local e, pouco depois, o grupo de 10 residentes.

A experi√™ncia acontecer√° na casa da Tamires ‚ÄĒ que est√° na turma atual do Mol¬≥ ‚ÄĒ em Ara√ßoiaba da Serra-SP, cidadezinha colada em Sorocaba e que fica a 100 km de S√£o Paulo. A Tamires, al√©m de oferecer a casa, tamb√©m ser√° uma das residentes ūüĎ©

Araçoiaba da Serra é um lugar lindo e tem até voo de balão. Entendeu por que acabamos preferindo lá do que São Paulo?

Embora tenhamos escolhido fazer nossa morada coletiva temporária no interior de SP, a intenção é aproveitar o melhor dos dois mundos com uma viagem de um final de semana a São Paulo nos dias 5 e 6 de agosto.

Al√©m disso, tamb√©m iremos ao Hack Town, um festival de inova√ß√£o e criatividade que acontecer√° em Santa Rita do Sapuca√≠-MG durante os dias 17 a 20 de agosto (e √© bem poss√≠vel que tenhamos um espa√ßo na programa√ß√£o do evento para contar sobre a experi√™ncia da Resid√™ncia). E a√≠, bora l√° tamb√©m? ūü§©

Tudo isso está me deixando extremamente entusiasmado e, se a ideia de viver uma residência também te empolga, aqui vão 10 aprendizados iniciais pra você criar a sua:

1. Acione sua rede e veja se alguém pode ofertar um espaço para sediar a experiência. Sai muito mais barato do que alugar via Airbnb ou qualquer outro meio. No nosso caso, o acordo com a Tamires envolveu a participação dela sem custos como uma das residentes, de modo que os gastos da casa serão rateados pelo restante do grupo.

2. Pense num per√≠odo n√£o t√£o curto, mas tamb√©m n√£o muito longo para experimentar. 1 m√™s, ao meu ver, √© √≥timo. √Č muito bom que o processo tenha in√≠cio, meio e fim, pois, como eu j√° disse em um outro texto, a finitude intencional d√° sabor ao que vivemos.

√Č preciso n√£o apenas fazer as pazes com a finitude, n√£o apenas abra√ß√°-la com todo o amor, mas tamb√©m utiliz√°-la como ferramenta, como tempero, porque com ela tudo fica mais saboroso.

3. Criar um tema para a sua resid√™ncia n√£o √© algo estritamente necess√°rio, mas pode ser interessante a fim de posicionar melhor o que o grupo intenciona viver. No nosso caso, eu propus uma investiga√ß√£o sobre ‚ÄúReflorescimentos‚ÄĚ no contexto p√≥s-pandemia:

Reflorescimentos

3 anos após o evento que pausou nossas vidas e ceifou tantas outras, é tempo de reflorescer.

A pandemia do novo coronavírus pode ter ficado no passado, mas outras pandemias nos assolam.

A solidão é pandêmica, a desatenção é pandêmica, ansiedade e depressão são pandêmicas, vidas no piloto automático são pandêmicas.

O que significa ‚Äúreflorescer‚ÄĚ nesse contexto? E como uma resid√™ncia de aprendizagem pode contribuir nisso?

A 1¬™ edi√ß√£o da Resid√™ncia Mol buscar√° acolher essas quest√Ķes, criando reflorescimentos coletivos e individuais a partir do conv√≠vio entre as pessoas residentes e de experi√™ncias intencionais de conex√£o e aprendizado.

4. √Č importante escolher bem quem ser√£o as pessoas residentes, pois essa vari√°vel, junto com a decis√£o sobre a casa, vai impactar intensamente toda a experi√™ncia. O n√ļmero de pessoas pode variar e precisa ser adequado ao tamanho do espa√ßo dispon√≠vel. No nosso caso, eu convidei 10 pessoas j√° ligadas √† comunidade do Mol e com as quais eu me dou muito bem. Cada uma delas traz consigo um ‚Äúpacote de interess√Ęncias‚ÄĚ que eu acredito que somar√° ao grupo ūüď¶

5. Estou planejando usar os primeiros 1‚Äď3 dias da resid√™ncia para propor uma s√©rie de momentos de conex√£o e cria√ß√£o de confian√ßa entre o grupo. Depois, a ideia √© que cada residente viva a sua rotina individual, cuidando para que regularmente possamos estar todes juntes trocando e aprendendo intencionalmente (veja o ponto 6).

6. O que diferencia uma resid√™ncia de aprendizagem de uma rep√ļblica? Talvez o principal aspecto seja a intencionalidade. Em geral, numa rep√ļblica as pessoas decidem morar juntes simplesmente por conveni√™ncia e/ou para reduzir as despesas. Nada de errado com isso, mas numa resid√™ncia o grupo se re√ļne com uma inten√ß√£o expl√≠cita de se desenvolver. Para tanto, √© essencial criar momentos peri√≥dicos de aprendizado e conex√£o, sejam jantares semanais organizados coletivamente ou experi√™ncias mais elaboradas a partir de A¬≥ como Abrir Ofertas, Atendendo Pedidos, Portal e Momentos Memor√°veis, por exemplo.

A¬≥ = Arquiteturas de Aprendizagem Autodirigida = ‚Äújeitos de pensar e fazer‚ÄĚ que potencializam a aprendizagem autodirigida individual e em comunidade.

Baixe o PDF das Arquiteturas clicando aqui.

7. Crie uma experi√™ncia perme√°vel ao meio externo: abra a casa para visitas, traga convidades que possam agregar nos processos de aprendizado das pessoas residentes, fa√ßa eventos de compartilhamento para contar o que est√° sendo vivido etc. A resid√™ncia √© como um organismo vivo que se fortalece a partir das trocas que estabelece com o seu exterior ūü¶Ď

8. Se puder, fa√ßa excurs√Ķes! Lembra das viagens que t√≠nhamos na escola? N√£o sei pra voc√™, mas pra mim as excurs√Ķes de que j√° participei foram momentos muito especiais na minha inf√Ęncia e adolesc√™ncia. E, no caso de uma resid√™ncia, viajar com o grupo √© saud√°vel, pois abre paisagens novas para al√©m da casa onde todos est√£o passando boa parte do tempo. Com essas novas paisagens, surgem tamb√©m novas formula√ß√Ķes e descobertas para cada residente.

9. Crie (e estimule o grupo a criar) objetos de pertencimento, isto √©, coisas que possam permanecer na casa durante o per√≠odo da resid√™ncia e que ajudem as pessoas a perceberem que aquele espa√ßo √© especial. Eu, por exemplo, pretendo levar uma bandeira customizada com o tema ‚ÄúReflorescimentos‚ÄĚ e presentear cada residente com um Mol-etom (o moletom do Mol) ūüėÜ

10. Faça registros e e compartilhe a experiência que vocês estão vivendo através dos canais e formatos que fizerem sentido: redes sociais, lista de e-mails, blog, podcast, vídeo, registros físicos/analógicos como um caderno que vai sendo preenchido coletivamente ou um jornalzinho do grupo etc. Tudo isso vai gerando uma espécie de memória coletiva que depois será muito gostosa de relembrar, além de potencializar o aprendizado de todes, dentro e fora da casa.

Após colocar no papel esses 10 aprendizados, outros 3 pipocaram na minha mente:

11. Caso as pessoas precisem trabalhar remotamente durante a residência, uma conexão à internet estável e de alta velocidade é fundamental! (obrigado, Luis Sérgio, por esse lembrete!)

12. Ao contar sobre a resid√™ncia para algumas pessoas, por vezes senti uma rea√ß√£o de ‚Äúisso √© muito legal, mas n√£o √© pra mim‚ÄĚ. √Č obviamente leg√≠timo n√£o querer ter esse tipo de experi√™ncia na vida, mas vale se perguntar se essa prefer√™ncia √© de fato por conta de um n√£o desejo ou devido a cren√ßas como ‚Äúsou muito velho pra isso‚ÄĚ, ‚Äúminha configura√ß√£o familiar n√£o permite‚ÄĚ (leva a fam√≠lia tamb√©m!) ou ‚Äúmorar junto s√≥ d√° treta‚ÄĚ (e, por isso, automaticamente n√£o vale a pena).

13. Uma das coisas mais interessantes de se criar uma resid√™ncia ‚ÄĒ e outros arranjos de moradia tempor√°rios ‚ÄĒ √© n√£o ter que escolher de maneira definitiva um certo jeito de morar. Conhe√ßo muita gente que gostaria de morar mais coletivamente, por exemplo, mas n√£o concretiza essa vontade por n√£o querer abandonar as vantagens de se morar sozinhe ou com poucas pessoas. E quem disse que √© preciso escolher (taxativamente)? Por que n√£o experimentar/alternar?

O modo como escolhemos morar, quer seja temporariamente ou n√£o, √© uma das vari√°veis de contexto que mais impacta nossas vidas, inclusive na dimens√£o do aprendizado ūüõĖ

Residências são experimentos sociais/educacionais que criam atalhos para o afeto, a serendipidade e a criatividade.

Por que n√£o criar uma?

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Alex Bretas

Alex Bretas é escritor, palestrante e fundador do Mol, a maior comunidade de aprendizagem autodirigida do Brasil. Saiba mais em www.alexbretas.com.