Sim, vou fazer mestrado! (isso mesmo que você ouviu)

Mas pera aí, você não escolheu fazer um doutorado informal porque não via sentido nessa educação superior fria e engessada?

É verdade. Continuo percebendo a educação superior formal como um lugar de fôrmas, de um vazio desautêntico assustador às vezes. Mas a academia também pode ser um lugar de transformações pela vontade. Também pode ser um oceano preenchido pelas belas marcas e histórias de quem o navega. Quero ver como é o lado de lá, só pra variar.

Já fui daqueles que escreve super difícil bom, dependendo de quem lê, talvez até hoje eu seja — , utilizando expressões em academiquês graúdo como “é digno de nota ressaltar que”. Já senti um pouco da roda gigante acadêmica e confesso que não gostei muito. Há um controle de corpos sutil que suga certas faculdades da alma (o sentir e o agir, especialmente).

Contudo, sinto que há um papel a ser exercido por mim lá também. Não, não acho que minha presença vai salvá-los. Não há nada para ser salvo e minha intenção não é essa. Tudo que quero fazer é um trabalho que consiga:

  • Ser relevante não só para pesquisadores, mas para pessoas;
  • Expressar minha autenticidade, ainda que eu certamente vá precisar fazer concessões;
  • Ser propagado para além dos muros da universidade e que seja capaz de voar para fora das gavetas da biblioteca.

Aprendi com Morin e outros que uma pergunta pode ter várias respostas igualmente válidas convivendo em seu interior. A academia pode ser ruim, mas também pode ser boa. Desde o início, disse para quem quisesse escutar que o doutorado informal não é instrumento de combate à academia. Por favor, não escolha ver as coisas assim, polarizadas (recado para mim mesmo).

A autodireção — ou, para usar a palavra mais famosa, a autonomia — na aprendizagem também é capaz de admitir vontades e momentos de heterodireção. Isso não é ruim, incoerente nem demoníaco, desde que tenha havido reflexão e ponderação por parte daquele quem decide (isto é, o sujeito que aprende). Para além disso, acredito que a atividade do pesquisador em si implica em boas doses de auto e alterdidatismo (aprender por conta própria e interagindo com outras pessoas).

Ademais (olha eu já retomando o gosto pelo academiquês), algo valioso que aprendi nos anos informais que se passaram é entrar numa nova empreitada com um olhar duplo de experiência e experimentação. Isto é, sem grandes pretensões, sem cristalizações quanto ao futuro e com foco no processo. Eu não sabia o que esperar quando comecei a escrever as ferramentas do Kit Educação Fora da Caixa — não sabia que depois elas virariam livro — , tanto quanto não sabia o que esperar quando fui caminhar no sertão. Tudo começou com um pequeno mas significativo passo rumo ao desconhecido.

Assim, se tudo é impermanência, vou vivendo minha decisão de tentar um mestrado já aproveitando o que ela tem sido capaz de me fornecer mesmo antes de pisar na universidade. Por exemplo, estou lendo Foucault para me preparar para a prova de conhecimentos específicos e tem sido uma experiência perturbadora (no bom sentido). Se eu concordo com essa prova no contexto de um programa de pós-graduação de uma instituição pública? Não. Mas isso não me impede de sobreviver a ela por um objetivo maior.

Se tudo der errado — ou caso eu decida voltar atrás, coisa a que todos estamos sujeitos de vez em quando — , já sei que tenho a capacidade de aprender de infinitas maneiras diferentes. Saber (e dizer) isso é de uma liberdade aliviante.

Sendo assim, mãos à obra!

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