Uma dica poderosa para manter a casa limpa… e aprender o tempo todo

Não sei se acontece com você, mas pra mim é um pouco difícil parar de arrumar e faxinar a casa depois que eu começo. Traz alguma felicidade aspirar o chão e ver a sujeira indo embora, dobrar lençóis e colocar os objetos nos seus devidos lugares.

Depois que começou, você quer mais.

Mas por que, se faxinar não é assim uma atividade inerentemente prazerosa?

Em uma palavra: dopamina.

A espuma das pastas de dente e do shampoo não melhoram a eficácia desses produtos. Elas simplesmente estão ali para que você veja que ALGO está acontecendo. Um progresso está sendo feito. Quanto mais você esfrega, mais espuma se acumula.

O ponto é que, quanto mais frequentemente somos capazes de perceber o progresso sendo feito em qualquer atividade, seja faxinar, escovar os dentes ou lavar o cabelo, mais fácil é se habituar a ela por causa da liberação de dopamina.

A dopamina, neste sentido, pode ser considerada a “molécula do quero mais”, como diriam Daniel Lieberman e Michael Long, autores do livro “The Molecule of More”, totalmente dedicado ao assunto.

Podemos utilizar o poder da dopamina de maneira intencional para realizar o que queremos em nossas vidas e no nosso aprendizado. Por exemplo: esses dias, finalizei a leitura de um livro que gerou várias anotações. Em vez de anotar tudo de uma vez só, eu dividi as anotações por capítulo, conforme se vê na imagem abaixo.

Toda vez que eu terminava de ler e fazer anotações de um capítulo, eu sentia uma sensação de conquista — sinal da dopamina sendo liberada. E isso me estimulava intensamente a ler e anotar mais.

Um outro exemplo tem a ver com este post que você está lendo. Há algum tempo, tenho buscado compartilhar diariamente pelo menos um textinho de dois ou três parágrafos nas redes.

Em vez de esperar longas semanas, meses ou até anos para compartilhar um conhecimento super estruturado — como ocorre no meio acadêmico — , eu prefiro aumentar a frequência “recortando” o processo em pequenas tarefas.

Compartilhar algo que importa pra nós em pequenas doses continuamente é uma ótima forma de estimular a dopamina. Isso ocorre porque, uma vez liberada, a dopamina não dura muito no nosso corpo. Ela “queima” rápido. Por isso que esperar muito para acionar um gatilho de dopamina não é uma estratégia inteligente.

O melhor é criar rotinas para observar (e celebrar) os pequenos progressos frequentemente.

No fim do dia, manter a casa limpa e arrumada e aprender o tempo todo talvez não sejam objetivos assim tão diferentes.

Obs.: agradeço à Marcelle Xavier pela conversa que inspirou este texto.

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com

TEDx Speaker | Autor | Facilitador de comunidades de aprendizagem autodirigida — www.alexbretas.com